Conheça a história do Papa Pio XII, que “explodiu” durante seu velório após técnica malsucedida de embalsamamento

Conheça a história do Papa Pio XII, que “explodiu” durante seu velório após técnica malsucedida de embalsamamento

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Publicado em 10/05/25 às 16:15

A morte do Papa Pio XII em 1958, então líder da Igreja Católica, ficou marcada por um episódio dramático e inusitado: a explosão parcial de seu cadáver durante o velório no Vaticano. O incidente foi resultado de um controverso processo de embalsamamento realizado pelo médico Riccardo Galeazzi-Lisi, que decidiu respeitar o desejo do pontífice de manter seus órgãos internos intactos, mas ignorou práticas tradicionais de conservação de corpos.

A embalsamação, que visa preservar o corpo humano para exibição pública ou enterro, normalmente envolve a remoção dos órgãos internos e a substituição por fluídos preservativos. Essa etapa é essencial para conter a ação de bactérias intestinais, que, após a morte, se proliferam rapidamente e produzem gases capazes de causar inchaços e, em casos extremos, rupturas internas.

No entanto, Galeazzi-Lisi optou por um método não convencional: cobriu o corpo do papa com óleos aromáticos e o envolveu em camadas de plástico. Combinada ao calor incomum daquele mês de outubro em Roma, a técnica acelerou o processo de decomposição. O resultado foi desastroso.

Segundo relatos históricos e análises posteriores feitas por especialistas, como o Professor Ken Donaldson, do Surgeons’ Hall Museums, a decomposição avançada provocou a geração de grandes quantidades de gases no interior do corpo. “Embora estivesse de acordo com o desejo de Pio de ser enterrado ‘como Deus o fez’, a falha em preservar os órgãos foi fatal”, explicou Donaldson.

Durante os quatro dias em que o corpo ficou exposto para visitação, os efeitos se tornaram visíveis: o tórax do papa explodiu, os dedos e o nariz se desprenderam, e a coloração da pele tornou-se esverdeada e escura. O odor era tão insuportável que membros da Guarda Suíça chegaram a desmaiar, e foi necessário instituir trocas a cada 15 minutos para que os guardas suportassem a função.

O evento forçou o encerramento antecipado do velório, deixando perplexos fiéis e autoridades presentes. O episódio do “papa que explodiu” permanece como um dos momentos mais embaraçosos da história funerária papal e ilustra a importância dos procedimentos científicos rigorosos em práticas mortuárias, especialmente em contextos tão simbólicos para o Vaticano.

Papa Pio XII

A decomposição, afinal, é uma força natural incontrolável. Assim como moscas são capazes de escavar dois metros de profundidade para alcançar corpos enterrados, o organismo humano, sem cuidados adequados, responde com rapidez à ausência de vida. Casos semelhantes ocorreram na história, como o do rei Guilherme, o Conquistador, cujo corpo também explodiu durante seu funeral.

Apesar do choque causado, o caso de Pio XII inspirou mudanças na forma como os papas passaram a ser preparados para sepultamento. Hoje, práticas mais seguras e discretas garantem que líderes religiosos sejam lembrados com a dignidade que merecem – sem sustos ou tragédias pós-morte.

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