Robôs humanóides participam pela primeira vez de meia maratona ao lado de humanos em Pequim

Robôs humanóides participam pela primeira vez de meia maratona ao lado de humanos em Pequim

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Publicado em 19/04/25 às 12:43

A cidade de Pequim, na China, foi palco de um acontecimento inédito no mundo das corridas e da tecnologia: 21 robôs humanóides participaram da meia maratona de Yizhuang, percorrendo os mesmos 21 quilômetros ao lado de milhares de corredores humanos. Essa foi a primeira vez que máquinas desse tipo competiram oficialmente em um percurso completo ao lado de pessoas.

Fabricados por empresas chinesas como DroidUP e Noetix Robotics, os robôs exibiram uma diversidade de formas e tamanhos. Alguns tinham menos de 1,20 metro, enquanto outros se aproximavam de impressionantes 1,80 metro. Um dos destaques foi um robô com traços femininos, capaz de piscar e sorrir, cuja fabricante destacou seu aspecto quase humano.

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Preparação e apoio técnico intenso

Segundo os organizadores, muitas das empresas participantes testaram seus robôs por semanas antes da competição, com equipes dedicadas de engenharia e navegação, algo que aproximou o evento de uma corrida de carros de alta performance. Ao longo do percurso, treinadores humanos acompanharam cada robô, oferecendo suporte físico quando necessário.

He Sishu, especialista em inteligência artificial que acompanhava a prova, afirmou estar impressionado:

Os robôs estão correndo muito bem, de forma estável… Sinto que estou presenciando a evolução dos robôs e da IA.

Alguns robôs chamaram a atenção pelos detalhes: um usava luvas de boxe, outro vestia uma faixa vermelha com os dizeres “Destinado a Vencer” em chinês, e alguns até calçavam tênis de corrida.

robôs correndo meia maratona de Yizhuang

Vencedor robótico cruza a linha com tempo notável

O grande destaque da corrida foi o Tiangong Ultra, robô desenvolvido pelo Centro de Inovação em Robótica Humanoide de Pequim, que completou a prova em 2 horas e 40 minutos. Embora esse tempo esteja bem atrás do vencedor humano — que completou em 1 hora e 2 minutos —, o desempenho foi considerado notável.

Segundo Tang Jian, diretor de tecnologia do centro, o sucesso do Tiangong Ultra se deve ao seu design com “pernas longas” e a um algoritmo avançado capaz de simular o estilo humano de corrida. Durante a prova, ele precisou trocar de bateria apenas três vezes.

Tang não hesitou em afirmar:

Sem querer me gabar, mas acho que nenhuma empresa de robótica do Ocidente alcançou conquistas esportivas como as do Tiangong.

Nem todos chegaram ao fim

Apesar do sucesso de alguns, nem todos os robôs conseguiram completar a corrida. Um deles caiu logo na largada e permaneceu deitado por alguns minutos antes de retomar o percurso. Outro colidiu com uma grade poucos metros após o início, derrubando seu operador.

Embora robôs já tenham participado de eventos esportivos na China no último ano, essa foi a primeira vez que competiram em igualdade de condições com corredores humanos em uma maratona oficial.

robôs correndo

Reflexões sobre o futuro da robótica

A corrida atraiu atenção não apenas pelo espetáculo tecnológico, mas também pelas implicações econômicas e industriais. A China vê o setor de robótica como um possível motor de crescimento econômico, apesar de analistas apontarem que o desempenho esportivo dos robôs não é necessariamente indicativo de sua utilidade prática.

Alan Fern, professor da Universidade Estadual do Oregon, afirmou que a capacidade de correr desses robôs não é exatamente uma novidade:

O software para fazer robôs humanóides correrem foi desenvolvido e demonstrado há mais de cinco anos.

Para ele, essas demonstrações são interessantes, mas não refletem habilidades aplicáveis ao trabalho real ou à inteligência artificial prática.

Ainda assim, Tang Jian ressalta que a próxima etapa será focar em aplicações industriais, com o objetivo de inserir os robôs em fábricas, ambientes empresariais e, eventualmente, residências.

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