
Quem é Lip-Bu Tan, novo CEO da Intel que assume o desafio de reconstruir a gigante dos Chips
Por Sandro Felix
Publicado em 14/03/25 às 16:24
A gigante dos semicondutores Intel, anunciou nesta última quarta-feira, 12 de março, a nomeação de Lip-Bu Tan como seu novo CEO. A decisão vem em um momento crítico para a empresa, que busca recuperar sua posição no mercado após anos de dificuldades e perda de competitividade frente a concorrentes como Nvidia e AMD.
Tan, um investidor renomado e veterano da indústria de semicondutores, possui mais de 20 anos de experiência no setor. Ele assume o cargo de David Zinsner e M. J. Holthaus, que atuavam como co-CEOs interinos desde dezembro de 2024, após a demissão de Patrick Gelsinger.
Embora Tan só assuma oficialmente o comando a partir de 18 de março, a notícia de sua nomeação já impactou positivamente o mercado. As ações da Intel subiram mais de 10% no pregão pós-fechamento de quarta-feira, refletindo o otimismo dos investidores em relação à nova liderança.
Desafios e expectativas para a nova gestão
Nos últimos anos, a Intel tem sido pressionada por investidores a cortar prejuízos e considerar a venda de algumas divisões, devido à queda nas vendas. No entanto, os comentários iniciais de Tan sugerem que a empresa ainda está comprometida com suas operações de fabricação de chips.
Nas áreas em que temos vantagem, precisamos reforçar e ampliar essa liderança. Onde estamos atrás da concorrência, devemos assumir riscos calculados para inovar e superar. E onde nosso progresso tem sido mais lento do que o esperado, precisamos encontrar maneiras de acelerar o ritmo, afirmou Tan em um comunicado oficial.
Diante desse cenário, a pergunta que fica é: a experiência e o histórico de Tan serão suficientes para reverter a crise da Intel? E quais serão suas prioridades como CEO?
De engenheiro nuclear a investidor de sucesso
Lip-Bu Tan nasceu na Malásia e cresceu em Cingapura. Ele possui um diploma de Bacharel em Ciências pela Universidade de Nanyang, em Cingapura, e um Mestrado em Engenharia Nuclear pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
Nos anos 1970, enquanto fazia doutorado na mesma área, Tan presenciou um dos maiores acidentes nucleares da história: o desastre de Three Mile Island, na Pensilvânia. O incidente, que resultou em danos severos a um reator, abalou a indústria nuclear americana e influenciou sua decisão de mudar de carreira.
Abandonando o doutorado, Tan optou por cursar um MBA na Universidade de São Francisco. Em 1987, fundou a Walden International, uma empresa de capital de risco focada em startups de tecnologia na Ásia.
Inspirado pelo escritor Henry David Thoreau, cujo livro Walden defendia um estilo de vida independente e inovador, Tan adotou uma abordagem contrária às tendências do mercado. Sua empresa investiu em marcas como Creative Technology, Sina Corp e a fabricante de semicondutores chinesa SMIC.

Além da Walden International, Tan ocupou cargos de liderança em várias empresas. Ele foi vice-presidente da Chappell & Co e atuou em posições estratégicas na EDS Nuclear e na ECHO Energy. Em 2009, assumiu como CEO da Cadence Design Systems, empresa que desenvolve ferramentas de software para designers de chips, incluindo a própria Intel.
Durante seu tempo na Cadence, a empresa viu seu faturamento crescer significativamente, e sua reputação se consolidou. Paralelamente, Tan manteve investimentos estratégicos no setor de semicondutores e chegou a aconselhar os governos da China e Taiwan sobre o setor.
Seu amplo networking no setor de tecnologia rendeu a Tan o título de “pessoa mais conectada da indústria”, segundo a Market Watch, em 2017. Em 2022, ele recebeu o prêmio Noyce, a maior honraria da Associação da Indústria de Semicondutores, em homenagem ao cofundador da Intel, Robert N. Noyce.
O desafio de reerguer a Intel
Lip-Bu Tan será o quarto CEO permanente da Intel em apenas sete anos. Entretanto, ele não é um estranho para a empresa, tendo servido anteriormente no conselho de administração da companhia.
Tan deixou o conselho no ano passado após discordâncias com Patrick Gelsinger sobre a direção estratégica da empresa. Na época, ele alegou que a saída foi uma decisão pessoal para priorizar outros compromissos, mas fontes indicam que houve diferenças significativas sobre o futuro da Intel.
Agora, como CEO, ele terá a missão de recuperar a competitividade da Intel, que perdeu terreno para a Nvidia no setor de IA. Enquanto a Nvidia domina o mercado com suas GPUs voltadas para inteligência artificial, a Intel tem lutado para diversificar seu modelo de negócios, investindo na fabricação de chips para outras empresas.
No entanto, os desafios são muitos. A empresa recentemente cancelou o desenvolvimento de suas GPUs Falcon Shores e adiou a abertura de uma fábrica de US$ 20 bilhões em Ohio, devido a dificuldades financeiras e logísticas.
Outro obstáculo no caminho de Tan será lidar com possíveis tarifas de importação impostas pelo governo dos EUA.
Qual o futuro da Intel sob o comando de Lip-Bu Tan?
A grande questão que Tan enfrentará como CEO é definir a identidade da Intel: a empresa será uma fabricante de chips, uma designer de chips ou ambas? A empresa deve se concentrar em PCs e servidores ou em inteligência artificial?
O histórico de Tan sugere que ele possui a experiência necessária para navegar por esse dilema, com um conhecimento profundo tanto do design quanto da fabricação de semicondutores. Mas será suficiente para salvar a Intel?
Nos próximos meses, investidores e especialistas estarão atentos às decisões estratégicas do novo CEO, que podem determinar se a Intel recuperará seu espaço no mercado ou continuará perdendo terreno para os concorrentes.
A liderança de Lip-Bu Tan pode ser a virada de jogo que a Intel precisa para recuperar sua posição no mercado. No entanto, apenas o tempo dirá se ele conseguirá reverter a crise e liderar a empresa rumo a um futuro mais promissor.

