
2024 foi o ano mais quente já registrado, ultrapassando o limite crítico de 1,5 °C
Por Sandro Felix
Publicado em 10/01/25 às 16:24
As previsões mais alarmantes infelizmente se concretizaram: 2024 foi oficialmente o ano mais quente já registrado, marcando pela primeira vez uma média global de temperatura acima da meta crítica de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. Os dados são da Copernicus Climate Change Service (C3S), da União Europeia, e apontam que o aquecimento global está avançando em ritmo preocupante.
O impacto do aumento de temperatura já está sendo sentido em todo o mundo, com eventos climáticos extremos, como ondas de calor recordes, tempestades severas, secas prolongadas e incêndios florestais devastadores. O ano de 2023 já havia quebrado recordes de calor, mas 2024 superou essa marca e acendeu um alerta vermelho para o planeta.
Dados alarmantes reforçam urgência por parte dos governantes
Segundo o relatório do C3S, a temperatura média em 2024 foi 1,6°C superior ao período pré-industrial de 1850-1900, quando o uso em larga escala de combustíveis fósseis começou a impactar o clima global. Esse aumento representa uma elevação de 0,1°C em relação a 2023, indicando que o planeta continua a aquecer rapidamente.
Embora a meta do Acordo de Paris — limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C — ainda não tenha sido oficialmente ultrapassada, o fato de um único ano já ter superado essa marca preocupa os cientistas. O acordo mede a temperatura média global ao longo de décadas, mas os especialistas alertam que, se as emissões continuarem no ritmo atual, o planeta poderá estar 2,7°C mais quente até o final do século.
Um dos dados mais preocupantes divulgados pelo C3S é que o dia 22 de julho de 2024 foi o mais quente da história, enquanto em 10 de julho, cerca de 44% do planeta enfrentava estresse térmico extremo, o que afeta diretamente a saúde humana e a produtividade agrícola.
A doutora Samantha Burgess, vice-diretora do C3S, destacou que as altas temperaturas globais, combinadas com recordes de vapor d’água na atmosfera em 2024, resultaram em ondas de calor e chuvas intensas sem precedentes, afetando milhões de pessoas em diferentes continentes.
Eventos climáticos extremos aumentam em frequência e intensidade
O aumento das temperaturas tem impulsionado eventos climáticos extremos em várias regiões do mundo, como ondas de calor, inundações, tempestades, secas e incêndios florestais. Cientistas apontam que mudanças rápidas entre períodos de seca e chuva em locais como Los Angeles, nos Estados Unidos, estão criando grandes áreas de vegetação seca, que servem de combustível para incêndios devastadores. Em 2024, esses incêndios já causaram a morte de pelo menos 10 pessoas e destruíram centenas de casas.
Pesquisadores ligados ao projeto World Weather Attribution (WWA) afirmam que, das 29 grandes catástrofes climáticas estudadas em 2024, 26 tiveram sua intensidade diretamente ligada às mudanças climáticas causadas pela ação humana.
“O mundo não precisa de uma solução mágica para impedir que a situação piore em 2025”, afirmou a doutora Friederike Otto, do Imperial College London. Segundo ela, o que precisa ser feito já é sabido: reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis, interromper o desmatamento e tornar as sociedades mais resilientes.
Vale destacar que um dos fatores que ganhou destaque em 2024 como um novo contribuinte para as emissões globais de carbono é o crescimento dos data centers. A demanda crescente por serviços em nuvem, inteligência artificial generativa e armazenamento de dados fez com que esses centros se multiplicassem, passando a representar entre 1% e 2% das emissões globais de carbono, o que os coloca no mesmo patamar da indústria da aviação.
Embora muitas empresas estejam buscando alternativas mais sustentáveis para alimentar e construir esses centros de dados, a realidade é que as emissões globais de carbono em 2025 devem atingir um novo recorde histórico.



