China aprova construção da maior usina hidrelétrica do mundo

China aprova construção da maior usina hidrelétrica do mundo

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Publicado em 04/01/25 às 13:54

A China anunciou a aprovação do projeto para construir o maior complexo de usinas hidrelétricas do mundo, localizado no rio Yarlung Zangbo, no Tibete, próximo à fronteira com a Índia. O empreendimento, que faz parte do 14º Plano Quinquenal do governo chinês, terá um custo estimado em US$ 137 bilhões e promete gerar até 300 bilhões de quilowatt-horas por ano — quase três vezes mais do que a capacidade da atual líder mundial, a Usina de Três Gargantas, também na China.

O projeto visa aproveitar a geografia íngreme do rio Yarlung Zangbo, que é um dos rios com maior potencial hidrelétrico do mundo. A localização escolhida oferece quedas verticais significativas, o que permitirá a instalação de turbinas capazes de gerar volumes de energia nunca antes vistos. O governo chinês pretende utilizar essa energia para abastecer cerca de 300 milhões de pessoas no país, além de impulsionar a transição para fontes de energia renováveis e reduzir a poluição.

Comparações com outras usinas hidrelétricas no mundo

Atualmente, a Usina de Três Gargantas, que atravessa o rio Yangtzé, na China, é a maior hidrelétrica em operação, com uma produção anual entre 95 e 112 terawatts-hora (TWh). O novo projeto no Yarlung Zangbo promete superar esse recorde, produzindo cerca de 300 TWh por ano, o que representaria uma transformação significativa no cenário energético global.

Nos Estados Unidos, a maior usina hidrelétrica, a Grand Coulee Dam, localizada no estado de Washington, produz cerca de 20 TWh por ano. Em comparação, a famosa Hoover Dam, situada na fronteira entre Nevada e Arizona, gera apenas 4,2 TWh anualmente.

Já no Brasil, a maior usina hidrelétrica é a Usina de Itaipu, localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Considerada uma das mais impressionantes do mundo, a Itaipu já foi líder global em geração de energia, com uma capacidade instalada de 14 GW e uma produção média anual de aproximadamente 75 TWh. Em 2016, a usina atingiu seu recorde de geração, produzindo 103 TWh em um único ano.

Usina de ItaipuUsina de Itaipu / Imagem: Reprodução

O rio Yarlung Zangbo, que nasce na geleira Angsi, no Tibete, percorre uma das regiões geográficas mais desafiadoras do mundo. Ao entrar na Índia, o rio muda de nome para Brahmaputra. Ele também é responsável por esculpir o Grand Canyon de Yarlung Tsangpo, um dos mais profundos do planeta, com até 6.009 metros de profundidade em certos trechos.

A área escolhida para a construção da usina está localizada em uma seção do rio que apresenta uma queda abrupta de 2.000 metros ao longo de um trecho de 50 km próximo à montanha Namcha Barwa. Isso torna o local ideal para a instalação de uma usina hidrelétrica de grande porte. No entanto, a complexidade do terreno exigirá a perfuração de túneis de até 20 km para desviar o fluxo do rio, que transporta cerca de 2.000 metros cúbicos de água por segundo — o suficiente para encher três piscinas olímpicas por segundo.

Preocupações geopolíticas e riscos naturais

A proposta de construção da usina hidrelétrica gerou preocupações na Índia, país vizinho que fica no curso inferior do rio. Autoridades indianas expressaram receio de que a China possa controlar o fluxo do rio Brahmaputra e impactar o abastecimento de água em regiões indianas. Há também preocupações sobre os riscos ambientais em uma área propensa a terremotos.

Funcionários do governo chinês afirmaram que estudos geológicos extensivos foram realizados na região e que os riscos sísmicos foram considerados no planejamento do projeto. Eles garantem que a construção pode ser realizada de maneira segura, apesar das condições geográficas adversas.

Rio Yarlung ZangboO rio Yarlung Zangbo, que nasce na geleira Angsi, no Tibete, percorre uma das regiões geográficas mais desafiadoras do mundo.

Embora o projeto tenha sido aprovado, ainda não há um cronograma definido para o início das obras. Se concluído, o complexo hidrelétrico no rio Yarlung Zangbo será um marco no desenvolvimento de energia limpa e renovável, mas também poderá gerar tensões diplomáticas entre a China e a Índia, países que compartilham a bacia hidrográfica da região.

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