
Cientistas descobrem restos do antigo oásis de Khaybar no deserto da Arábia Saudita
Por Sandro Felix
Publicado em 10/11/24 às 07:07
Em meio ao vasto e árido deserto da Arábia, uma descoberta arqueológica notável revelou fragmentos da história que estavam enterrados há milênios. Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), em parceria com especialistas da Arábia Saudita, localizaram o que pode ser um dos achados mais importantes da última década: o antigo oásis de Khaybar, uma joia arqueológica com cerca de 4.000 anos de antiguidade.
A cidade principal deste oásis, chamada al-Natah, foi fundada por volta de 2400 a.C. e cobre uma área de aproximadamente 2,6 hectares. O local foi projetado para abrigar cerca de 500 habitantes e apresenta uma infraestrutura surpreendente para a época, revelando os vestígios de uma sociedade próspera que desenvolveu formas de sobreviver e até mesmo florescer em um dos ambientes mais hostis do planeta.
Engenharia e resiliência no deserto
O que mais impressiona os especialistas é a complexidade da cidade. Al-Natah conta com cerca de 50 edificações, um sistema organizado de ruas e um enorme muro protetor, que chega a quase 5 metros de altura e se estende por cerca de 14,5 quilômetros. Esses muros indicam um alto nível de organização social e um conhecimento avançado de engenharia e arquitetura.
A descoberta de Khaybar foi possível graças ao uso combinado de tecnologias modernas e técnicas arqueológicas tradicionais. Para localizar o sítio, os pesquisadores empregaram imagens de satélite e fotografias aéreas, identificando padrões no terreno que sugeriam a presença de estruturas antigas. Em seguida, realizaram uma análise sistemática da área, incluindo escavações tradicionais. Essa abordagem integrada permitiu ao time de cientistas mapear as edificações e entender a dimensão do assentamento.
Modelos 3D para a reconstituição do passado
Uma das grandes inovações desta pesquisa foi o uso de fotogrametria e softwares de design assistido por computador para a criação de modelos 3D detalhados do local. Esses modelos permitem que os arqueólogos visualizem a cidade como era em seu auge, possibilitando uma documentação precisa de cada construção. Com isso, a equipe pode estudar o sítio com uma precisão nunca antes vista, facilitando futuras investigações e proporcionando uma visão rica e fiel da vida na antiga Khaybar.
Datagem e importância histórica
Para datar o assentamento com precisão, os cientistas combinaram o método de radiocarbono com o uso de um Sistema de Informação Geográfica (SIG), analisando dados geoespaciais detalhados para definir com exatidão o período de ocupação. Essa abordagem integrada possibilitou estabelecer uma linha do tempo precisa para a cidade, situando sua origem em aproximadamente 2400 a.C.


