Tragédia do gás de Bhopal | Pior desastre industrial do mundo ainda continua causando efeitos colaterais

Tragédia do gás de Bhopal | Pior desastre industrial do mundo ainda continua causando efeitos colaterais

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Publicado em 30/11/23 às 16:16

Em 1984, a cidade de Bhopal, na Índia, testemunhou um dos piores desastres industriais da história. A fábrica de pesticidas da Union Carbide vazou mais de 40 toneladas de gás tóxico, resultando em milhares de mortes imediatas e deixando um legado trágico que perdura até hoje. Embora a minissérie da Netflix, “Heróis dos Trilhos”, explore esse evento, um estudo recente da Universidade da Califórnia em San Diego revela que as consequências desse desastre estão longe de serem superadas.

O incidente ocorreu na noite de 2 para 3 de dezembro de 1984, quando a fábrica vazou isocianato de metila, um gás altamente tóxico, afetando uma área de 7 quilômetros ao redor da planta. A nuvem de gás atingiu as habitações próximas, resultando em mortes imediatas, com vítimas enfrentando dores intensas, náuseas e outros sintomas devastadores. Estima-se que 7.000 pessoas morreram nos três dias seguintes, e as consequências se estenderam por décadas, causando até 30.000 mortes na região devido aos efeitos contínuos do vazamento químico na saúde humana e no meio ambiente.

Em junho de 2023, pesquisadores da UC San Diego publicaram um estudo revelador sobre o impacto persistente dessa tragédia. Analisando dados de mais de 47.000 pessoas entre 15 e 49 anos em Madhya Pradesh, juntamente com informações socioeconômicas de 13.369 homens nascidos entre 1960 e 1990, além de dados específicos de 1.260 pessoas nascidas entre 1981 e 1985, a 250 quilômetros de Bhopal, os pesquisadores descobriram impactos crônicos e multigeracionais na saúde.

O estudo destaca consequências a longo prazo, incluindo problemas respiratórios, neurológicos, musculoesqueléticos, oftalmológicos e endócrinos. Surpreendentemente, os efeitos se estendem às gerações seguintes, com crianças nascidas após o desastre enfrentando um aumento significativo nas taxas de aborto espontâneo, natimortos e mortalidade neonatal.

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A batalha por justiça continua, com vítimas buscando compensação. Em 1989, a Union Carbide concordou em pagar US$ 470 milhões às pessoas afetadas. No entanto, em março de 2023, o Supremo Tribunal da Índia rejeitou um pedido de mais indenizações, apesar dos persistentes apelos por compensações adicionais. A Dow Chemicals, que adquiriu a Union Carbide em 1999, argumentou que o acordo de 1989 era justo e final.

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