
Toshiba planeja dobrar produção de HDs para data centers e mira modelos de 65 TB
Por Sandro Felix
Publicado em 02/10/26 às 16:59
A Toshiba planeja dobrar sua capacidade de produção de discos rígidos destinados a data centers até o ano fiscal de 2027, em uma expansão impulsionada pelo crescimento da infraestrutura de inteligência artificial e dos serviços de nuvem. O projeto prevê um investimento de aproximadamente 60 bilhões de ienes, cerca de US$ 380 milhões, concentrado principalmente nas operações da companhia nas Filipinas.
Caso seja concretizada, essa será a primeira grande ampliação da capacidade produtiva de HDs da Toshiba em aproximadamente cinco anos. O movimento ocorre enquanto boa parte da indústria de armazenamento concentra seus avanços em memória NAND e SSDs empresariais, mas grandes operadoras de data centers continuam recorrendo aos discos mecânicos para armazenar enormes volumes de informações a um custo menor.
A meta da Toshiba é particularmente ambiciosa. A companhia pretende sair de uma participação pouco superior a 10% da capacidade disponível de fabricação da indústria para aproximadamente 30% no médio prazo. Esse percentual, porém, diz respeito à capacidade produtiva, e não significa que a empresa necessariamente alcançará a mesma participação nas vendas.
Seagate e Western Digital continuam sendo fabricantes maiores de HDs, e a evolução da produção e das tecnologias das duas concorrentes também terá influência sobre a posição que a Toshiba conseguirá ocupar no mercado.
| Expansão de HDs da Toshiba | Plano reportado |
|---|---|
| Investimento | Aproximadamente ¥ 60 bilhões / US$ 380 milhões |
| Principal local de produção | Filipinas |
| Objetivo de capacidade | Dobrar a produção até o ano fiscal de 2027 |
| Participação atual na capacidade da indústria | Pouco acima de 10% |
| Meta de médio prazo | Aproximadamente 30% |
| Aumento de capacidade por novo HD | Até 40% |
| Objetivo para 2030 | Aproximadamente 65 TB |
| Meta de longo prazo | 100 TB |
| Principal mercado | Data centers de IA e serviços de nuvem |
As novas linhas deverão fabricar discos capazes de armazenar até 40% mais dados por unidade em relação aos produtos atuais. Para operadores de grandes estruturas, aumentar a capacidade de cada HD permite reduzir a quantidade de baias, controladores, cabos e conexões de energia necessárias para atingir determinado volume de armazenamento.
A equação não depende apenas da capacidade, entretanto. Preço de aquisição, tempo necessário para reconstrução de dados após uma falha e desempenho em diferentes cargas de trabalho continuam sendo fatores relevantes na montagem de grandes sistemas de armazenamento.
Toshiba mira HDs de 65 TB em 2030
O plano de longo prazo da Toshiba prevê chegar à produção em massa de HDs com aproximadamente 65 TB em 2030. Depois disso, a fabricante pretende avançar em direção a unidades de 100 TB.
Alcançar essas capacidades exigirá melhorias em diferentes componentes dos discos, incluindo mídia magnética, cabeças de leitura e gravação e sistemas de correção de erros. Tecnologias de gravação assistida por calor ou micro-ondas também estão entre os caminhos para elevar a densidade dos HDs.
Apesar das capacidades chamativas, esses produtos são voltados principalmente aos data centers, e não aos computadores domésticos. Mesmo que mantenham o conhecido formato físico de 3,5 polegadas, isso não significa que os futuros modelos de 65 TB ou 100 TB serão vendidos normalmente ao consumidor.
HDs empresariais são desenvolvidos para operar em grandes conjuntos de armazenamento, com firmware, interfaces, tolerância a vibrações e especificações de carga de trabalho adequadas a racks densos e funcionamento contínuo.
IA também aumenta a demanda por discos rígidos
A expansão da inteligência artificial não beneficia apenas fabricantes de GPUs e SSDs. Treinamento de modelos e outros serviços de IA produzem enormes quantidades de informações que não permanecem exclusivamente na memória das placas aceleradoras ou nos SSDs de alta velocidade.
Conjuntos de treinamento, checkpoints, registros de sistemas, arquivos de mídia e resultados arquivados podem ser transferidos para camadas de armazenamento baseadas em HDs, nas quais o custo por terabyte tende a ser mais importante do que a baixa latência.
A própria Toshiba já estimou que cerca de 80% das informações armazenadas em data centers, considerando o volume de dados, permanecem em discos rígidos.
Isso não elimina o papel dos SSDs empresariais. As duas tecnologias atendem a necessidades diferentes: SSDs oferecem latência muito menor e desempenho superior em acessos aleatórios, enquanto grandes conjuntos de HDs continuam sendo uma alternativa para manter enormes volumes de dados de maneira mais econômica.
A expansão ainda é um plano, portanto a capacidade adicional não está disponível atualmente. Instalação de equipamentos, rendimento das linhas de fabricação e processos de qualificação junto aos clientes podem interferir no cronograma, enquanto a própria demanda do mercado pode mudar antes do ano fiscal de 2027.
Para consumidores de PCs, o efeito imediato tende a ser pequeno. No longo prazo, porém, avanços na densidade dos discos e uma produção empresarial em maior escala podem chegar também a segmentos como estações de trabalho, sistemas NAS e unidades destinadas ao arquivamento de grandes quantidades de dados.

