
Primeiro caça supersônico montado no Brasil, Gripen F-39 é apresentado pela FAB
Por Sandro Felix
Publicado em 26/03/26 às 16:47
O Brasil apresentou oficialmente nesta quarta-feira (25), o primeiro caça F-39E Gripen montado em território nacional, marcando um avanço histórico para a indústria de defesa do país. A aeronave foi produzida na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP), em parceria com a sueca Saab, responsável pelo projeto original do caça.
A entrega do modelo à Força Aérea Brasileira (FAB) integra o contrato firmado em 2014 no âmbito do programa FX-2, que prevê a aquisição de 36 aeronaves Gripen — sendo 28 do modelo F-39E (monoposto) e oito do F-39F (biposto). Desse total, 15 unidades serão produzidas no Brasil como parte de um amplo acordo de transferência de tecnologia.
A cerimônia de apresentação consolidou o país como o primeiro da América Latina a montar um caça supersônico em seu próprio território. Segundo informações divulgadas internacionalmente, trata-se também da primeira vez, desde a fundação da Saab em 1937, que um caça da empresa é fabricado fora da Suécia.
O primeiro Gripen brasileiro — identificado pela matrícula FAB 4109 — teve sua montagem final concluída após um processo iniciado anos antes, incluindo etapas de integração estrutural, testes e certificações realizadas no país.
Produção nacional avança com transferência de tecnologia
A fabricação local do F-39 Gripen é considerada um dos principais pilares do programa FX-2, especialmente pelo foco na transferência de tecnologia. Engenheiros brasileiros foram treinados na Suécia, e parte do desenvolvimento e da integração de sistemas passou a ser realizada no Brasil, incluindo componentes eletrônicos produzidos por empresas nacionais.
A linha de produção foi inaugurada em 2023 nas instalações da Embraer e vem sendo ampliada gradualmente, com participação de unidades industriais também em outras cidades, como São Bernardo do Campo, onde são produzidas estruturas da aeronave.
Além da montagem final, o programa inclui testes operacionais e integração do caça às atividades da FAB. O modelo já participou de exercícios militares, realizou lançamentos de armamentos e passou a atuar em missões de alerta de defesa aérea no país.
Até o momento, parte das aeronaves já foi entregue diretamente da Suécia, enquanto a produção nacional passa a complementar o cronograma de entregas, que deve se estender até a próxima década.
O projeto também tem impacto industrial e estratégico. A expectativa da Saab é utilizar a linha de produção brasileira como base para futuras exportações, especialmente após acordos recentes com países da região, como a Colômbia.
Com a montagem do Gripen em solo brasileiro, o país amplia sua participação na cadeia global de defesa e avança no domínio de tecnologias aeronáuticas consideradas críticas, consolidando um novo patamar para a indústria aeroespacial nacional.



