
Versão japonesa de Resident Evil Requiem troca cenas violentas por manchas pretas e irrita fãs
Por Sandro Felix
Publicado em 05/03/26 às 16:20
A versão japonesa de Resident Evil Requiem tem sido alvo de críticas entre jogadores por causa do tipo de censura aplicado a algumas das cenas mais violentas do jogo. Em vez de sangue ou detalhes anatômicos explícitos, partes dos corpos aparecem cobertas por grandes manchas pretas que ocultam completamente o que está na tela — recurso que muitos usuários consideram exagerado.
A controvérsia ganhou força depois que jogadores começaram a compartilhar imagens em redes sociais e fóruns como o Reddit mostrando as diferenças entre a edição japonesa e a versão internacional do game. Nas capturas, cenas que envolvem cadáveres ou desmembramentos aparecem com áreas totalmente escurecidas, como se os corpos estivessem envoltos em sombras.
Um dos exemplos mais comentados surge em um quebra-cabeça do jogo. Na sequência, o jogador precisa inserir um coração e pulmões artificiais no torso de um cadáver para obter um item essencial para avançar na história. Na edição japonesa, porém, grande parte do corpo — incluindo os órgãos — aparece coberta por um bloco preto que impede visualizar o conteúdo da cena.
Usuários afirmam que o recurso acaba chamando mais atenção do que a própria violência que tenta esconder. Em discussões online, alguns jogadores dizem que a censura “quebra a imersão” e interfere na atmosfera do jogo, conhecido justamente por apostar em elementos de terror e tensão.
Não é a primeira vez que a Capcom modifica conteúdos da série para lançamento no Japão. Em versões anteriores da franquia, a empresa já alterou ou suavizou cenas consideradas muito gráficas para se adequar às regras locais. Em Resident Evil 7: Biohazard, por exemplo, uma cena que mostrava uma cabeça decapitada dentro de uma geladeira foi modificada na edição japonesa: no lugar do objeto, aparece apenas uma fotografia do personagem.
As mudanças estão ligadas às normas da CERO, o órgão responsável pela classificação indicativa de jogos no Japão. Mesmo títulos que recebem a classificação mais alta, CERO Z, destinada a maiores de 18 anos, costumam enfrentar restrições rigorosas quando incluem representações de desmembramento, decapitação ou gore explícito.
Antes do lançamento, o diretor de Resident Evil Requiem, Koshi Nakanishi, já havia indicado que a edição japonesa não seria idêntica à versão global. Em entrevista, ele afirmou que, embora existissem diferenças, a experiência geral seria comparável.
Embora não seja completamente idêntica à versão global, acredito que o conteúdo que vocês vão experimentar na versão japonesa de Requiem é bastante comparável, disse Nakanishi.
Para parte da comunidade, no entanto, a censura desta vez parece mais evidente do que em capítulos anteriores da série. Jogadores japoneses relatam que as manchas pretas usadas para esconder as cenas violentas ficam especialmente visíveis durante a jogabilidade, o que, segundo eles, acaba comprometendo a atmosfera do survival horror — um dos elementos mais marcantes da franquia.




