Trump anuncia corte de relações comerciais com a Espanha após país proibir uso de bases militares

Publicado em 03/03/26 às 17:10

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que pode impor embargos comerciais à Espanha e cortar relações econômicas com o país europeu, após o governo espanhol proibir o uso de bases militares por forças norte-americanas. As declarações foram feitas na Casa Branca, durante um encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz.

Trump classificou a decisão espanhola como “hostil” e criticou a liderança do país. “A Espanha não tem absolutamente nada que precisamos além de pessoas fantásticas. Eles têm pessoas fantásticas, mas não têm uma grande liderança.”, disse. Em seguida, acrescentou que, caso os Estados Unidos considerem necessário, poderiam utilizar as instalações militares espanholas mesmo sem autorização formal de Madri. “Podemos simplesmente voar até lá e usá-las. Ninguém vai nos dizer que não podemos”, afirmou.

A declaração elevou a tensão diplomática entre os dois países, aliados históricos no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, ainda não respondeu oficialmente às falas do presidente norte-americano.

As críticas ocorrem em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que entrou no quarto dia consecutivo de confrontos intensos. Forças israelenses bombardearam o prédio da Assembleia de Peritos, na cidade iraniana de Qom. O órgão é responsável por eleger o líder supremo do Irã e é composto por 88 membros. Não há confirmação sobre quantos clérigos estavam reunidos no momento do ataque.

Em paralelo, Trump afirmou que é “tarde demais” para negociações com a nova liderança iraniana. Na segunda-feira (2), o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã havia rejeitado qualquer possibilidade de diálogo com Washington.

Durante a madrugada, a embaixada dos Estados Unidos em Riade, capital da Arábia Saudita, foi atingida por drones. Um incêndio foi registrado, mas, segundo autoridades norte-americanas, as chamas foram controladas. Não houve divulgação de vítimas no local. Trump declarou que o Irã “vai descobrir em breve” como os Estados Unidos pretendem retaliar.

O conflito também se expandiu para o Líbano, onde forças israelenses realizaram ataques contra alvos ligados ao Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu uma “ação rápida e decisiva” e reiterou que busca “a paz através da força”.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer defendeu a decisão de não envolver tropas britânicas na ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel. Em discurso no Parlamento, afirmou não acreditar em “mudança de regime a partir do céu”, sinalizando cautela diante da escalada militar.

Outro ponto de preocupação internacional é o anúncio do Irã de que teria fechado o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado globalmente. O país ameaçou atacar embarcações que cruzem a região, o que pode pressionar os preços internacionais do petróleo e do gás natural — com possíveis reflexos também no mercado brasileiro.

Segundo a Cruz Vermelha iraniana, ao menos 787 pessoas morreram no Irã desde o início dos confrontos. Do lado norte-americano, foram registradas seis mortes até o momento.

A escalada da crise no Oriente Médio e o embate diplomático entre Washington e Madri ampliam o cenário de incerteza internacional, com impactos potenciais na economia global e nas relações entre aliados tradicionais dos Estados Unidos.