Alemanha testa baratas controladas por IA para missões de espionagem

Alemanha testa baratas controladas por IA para missões de espionagem

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Publicado em 03/03/26 às 16:18

A Alemanha começou a testar um novo tipo de tecnologia militar que mistura biologia e inteligência artificial: baratas transformadas em plataformas de espionagem. Desenvolvido pela startup de defesa SWARM Biotactics, sediada em Kassel, o sistema utiliza insetos vivos equipados com sensores e dispositivos eletrônicos para coletar informações em áreas consideradas inacessíveis para soldados e drones.

Segundo a empresa, os insetos recebem uma espécie de “mochila” ultraleve com câmera, microfone, rádio de comunicação criptografada e um chip de inteligência artificial. Por meio de uma interface neural bioeletrônica, os movimentos das baratas podem ser direcionados remotamente. A proposta é permitir que elas entrem em túneis estreitos, prédios colapsados e regiões sem sinal de GPS, transmitindo dados em tempo real.

O que estamos mostrando é real. Organismos vivos controlados por interfaces neurais bioeletrônicas, carregando sensores e inteligência artificial embarcada, operando como uma unidade coordenada, afirmou o CEO da empresa, Stefan Wilhelm, em publicação nas redes sociais.

A tecnologia está sendo testada por forças da Otan, incluindo unidades alemãs, em missões de reconhecimento. A empresa não detalhou onde ocorrem os testes nem se os insetos já foram utilizados em situações reais de conflito.

baratas na guerra

 

Escala biológica em vez de produção industrial

Wilhelm afirma que a proposta não é criar um “drone melhor”, mas um novo modelo de escalabilidade. Segundo ele, enquanto drones dependem de cadeias industriais complexas, os insetos podem ser reproduzidos biologicamente, reduzindo custos e ampliando rapidamente o número de unidades disponíveis.

De acordo com o executivo, sistemas tradicionais costumam falhar em ambientes considerados “negados”, como áreas com infraestrutura destruída, bloqueios eletrônicos ou forte risco de detecção. Drones podem perder sinal ou ser abatidos, enquanto robôs terrestres enfrentam limitações físicas. As baratas, por sua vez, conseguem se deslocar naturalmente por frestas e escombros, com menor chance de serem percebidas.

baratas

A startup foi fundada há cerca de um ano e, segundo Wilhelm, já reúne mais de 40 engenheiros e cientistas na Alemanha e nos Estados Unidos. A equipe desenvolveu tecnologia própria que inclui interface neural, autonomia em enxame — permitindo que vários insetos atuem de forma coordenada —, sensores modulares e um sistema central de controle de missão.

Especialistas em defesa avaliam que o projeto se insere em uma tendência mais ampla de integração entre inteligência artificial, robótica e sistemas autônomos no campo militar. A novidade, no entanto, está no uso de organismos vivos como base da plataforma tecnológica.

A iniciativa também levanta questionamentos éticos e regulatórios, especialmente sobre os limites do uso de seres vivos em operações militares. Até o momento, não há informações públicas sobre eventual produção em larga escala ou cronograma para adoção operacional.

baratas SWARM Biotactics

Para Wilhelm, a próxima década será marcada pela busca por “acesso, autonomia e resiliência” como fatores centrais da vantagem geopolítica. “Estamos construindo um novo tipo de sistema, em que a capacidade se multiplica por meio da biologia, não da complexidade da engenharia”, escreveu.

Se os testes forem considerados bem-sucedidos, a tecnologia pode representar uma nova etapa na corrida por sistemas de espionagem mais discretos e adaptáveis — desta vez, inspirados no próprio mundo natural.

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