Relógio do Juízo Final se aproxima da meia-noite e acende alerta máximo
Por Sandro Felix
Publicado em 30/01/26 às 16:11
Em um sinal considerado o mais grave desde a criação do indicador, o Bulletin of the Atomic Scientists anunciou no dia 23 de janeiro de 2026 que o Relógio do Juízo Final foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, patamar que simboliza a maior proximidade já registrada de uma catástrofe global em seus 77 anos de história. A decisão reflete, segundo a entidade, uma combinação inédita de ameaças interligadas que pressionam o sistema internacional e ampliam o risco existencial para a humanidade.
De acordo com os especialistas responsáveis pelo indicador, o novo ajuste não responde a um evento isolado, mas a uma degradação estrutural da segurança global. O boletim aponta que, apesar de sucessivos alertas, as principais potências têm reforçado estratégias que elevam a instabilidade, apostando no rearmamento, na competição tecnológica e no enfraquecimento da cooperação diplomática. O resultado, afirmam, é um ambiente internacional mais volátil e menos capaz de conter crises.
Entre os fatores centrais está o ressurgimento do risco nuclear. Estados Unidos, Rússia e China vivem uma fase de rivalidade estratégica marcada pela redução do diálogo e pelo esvaziamento de mecanismos de controle de armas. Esse cenário aumenta a possibilidade de erros de cálculo em momentos de tensão elevada. A continuidade da guerra na Ucrânia, acompanhada de ameaças nucleares indiretas, a escalada militar entre Índia e Paquistão e ataques a instalações associadas ao programa nuclear iraniano são citados como exemplos de um tabuleiro geopolítico cada vez mais instável.
Paralelamente, observa-se uma rápida modernização dos arsenais atômicos. A China expande sua capacidade nuclear, a Rússia testa novos sistemas estratégicos e Washington investe em projetos de defesa antimísseis com componentes espaciais. Com a possível expiração do tratado Novo START, último grande acordo que limita armas estratégicas entre EUA e Rússia, o mundo pode ficar sem parâmetros formais para conter a corrida nuclear.
O boletim também destaca que a crise climática segue sem sinais de arrefecimento. O ano de 2025 foi marcado por temperaturas próximas a recordes históricos e por níveis de dióxido de carbono muito acima dos padrões pré-industriais. Eventos extremos se intensificaram: a Europa enfrentou sucessivos verões de calor intenso, enquanto secas prolongadas e inundações em diferentes regiões do planeta deslocaram centenas de milhares de pessoas, ampliando tensões sociais e humanitárias.
A esse quadro somam-se os desafios trazidos por tecnologias emergentes. Pesquisadores alertam para avanços na biotecnologia que podem permitir a criação de organismos sintéticos sem supervisão global adequada. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial passou a integrar sistemas militares sensíveis, incluindo processos de alerta e tomada de decisão estratégica, elevando o temor de falhas automatizadas com consequências irreversíveis.
Para o boletim, o núcleo do problema está na falta de governança internacional. A paralisia diplomática, o avanço de políticas nacionalistas e a ausência de novos tratados deixaram o planeta sem instrumentos eficazes para administrar riscos que se acumulam. “A pressão climática, a ausência de regras globais e a militarização das novas tecnologias complicam de forma decisiva o nosso futuro”, resume o comunicado.
Ao posicionar o Relógio do Juízo Final a apenas 85 segundos da meia-noite, os cientistas reforçam um alerta que vai além do simbolismo: sem coordenação política e cooperação internacional, afirmam, a humanidade se aproxima perigosamente de um ponto de não retorno.