Sam Altman confirma anúncios no ChatGPT após perder US$ 14 bilhões

Sam Altman confirma anúncios no ChatGPT após perder US$ 14 bilhões

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Publicado em 25/01/26 às 06:48

A OpenAI confirmou nesta semana uma mudança histórica em seu modelo de negócios: a empresa passará a exibir anúncios no ChatGPT nas próximas semanas nos Estados Unidos. A decisão foi anunciada após o CEO Sam Altman admitir publicamente que a companhia fará exatamente aquilo que ele próprio havia prometido não fazer.

A publicidade será exibida para usuários do plano gratuito e do novo plano Go, lançado recentemente. Segundo a empresa, os anúncios aparecerão apenas ao final das respostas do chatbot, sempre que houver produtos ou serviços relacionados ao tema da conversa. A OpenAI afirma que os conteúdos pagos estarão claramente identificados e visualmente separados das respostas geradas pela inteligência artificial, para evitar qualquer confusão entre publicidade e informação orgânica.

A mudança representa um giro relevante no discurso da liderança da companhia. Em maio de 2024, durante um evento na Universidade de Harvard, Altman afirmou que “a combinação de anúncios com inteligência artificial é especialmente inquietante” e chegou a dizer que via a publicidade como o “último recurso” do modelo de negócios da empresa. Apenas sete meses depois, em junho, o executivo começou a relativizar a posição ao declarar que não era “totalmente contra anúncios”, embora defendesse que o tema exigia extremo cuidado.

Sam AltmanSam Altman, CEO da OpenAI / Imagem: Reprodução

Os números ajudam a explicar a reviravolta. Documentos internos vazados indicam que a OpenAI projeta prejuízos de US$ 14 bilhões em 2026. Caso não encontre novas fontes de receita, o rombo pode chegar a US$ 74 bilhões em 2028. Apesar de contar com cerca de 800 milhões de usuários semanais, apenas 5% deles pagam por algum plano, o que amplia a pressão financeira sobre a empresa.

A estratégia, segundo a OpenAI, será limitada aos usuários gratuitos. Assinantes dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise não verão anúncios. A empresa também afirma que não exibirá publicidade para menores de 18 anos nem em conversas relacionadas a temas sensíveis, como política, saúde ou saúde mental.

A responsável pela área de aplicativos da OpenAI, Fidji Simo, defendeu a iniciativa ao afirmar que a resistência do público costuma estar menos nos anúncios em si e mais no uso de dados pessoais. De acordo com ela, as conversas continuarão sendo privadas e não haverá venda de dados dos usuários para anunciantes.

A companhia reconhece que precisa diversificar suas fontes de receita com urgência. Nos últimos meses, a OpenAI firmou acordos de infraestrutura que somam mais de US$ 1,4 trilhão, valores que deverão ser pagos ao longo dos próximos oito anos. Nesse cenário, a introdução de publicidade surge como uma tentativa de equilibrar as contas sem comprometer os planos pagos, que seguem como principal aposta para usuários corporativos e profissionais.

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