
Fujian, o megacolosso naval chinês de 80 mil toneladas que desafia o domínio marítimo dos EUA
Por Sandro Felix
Publicado em 28/11/25 às 16:23
Pequim acaba de lançar ao mar sua mais ambiciosa demonstração de poder militar: o porta-aviões Fujian, o maior e mais avançado navio de guerra já construído na história da China. Com 80 mil toneladas de deslocamento total e mais de 300 metros de comprimento, o megacolosso simboliza um salto tecnológico e estratégico para o país, que busca consolidar sua presença como potência naval no Indo-Pacífico e rivalizar com os Estados Unidos e seus aliados.
O Fujian é o primeiro porta-aviões projetado e construído inteiramente com tecnologia nacional, um feito que o governo chinês descreve como um “salto histórico” em sua corrida pelo domínio dos mares. Diferentemente dos dois porta-aviões anteriores — o Liaoning e o Shandong, adaptados de modelos soviéticos —, o novo gigante representa a maturidade da engenharia militar chinesa, capaz de operar de forma autônoma e sustentada, em pé de igualdade com as marinhas mais sofisticadas do planeta.
Tecnologia de ponta e poder aéreo inédito
A principal inovação do Fujian está em sua plataforma de decolagem e pouso. Enquanto seus antecessores utilizam rampas de salto, o novo navio adota o sistema CATOBAR (Catapult Assisted Take-Off But Arrested Recovery), que permite o uso de três catapultas eletromagnéticas — uma tecnologia até então dominada apenas pelos Estados Unidos. Esse sistema possibilita o lançamento de aviões mais pesados e armados, com maior alcance de combustível e maior carga bélica, além de um ritmo operacional muito mais intenso.
Na imensa cobertura de aço, com espaço para até 60 aeronaves, o Fujian abrigará a primeira ala aérea furtiva chinesa em mar aberto. Estão previstos caças de quinta geração J-35 e J-36, versões aprimoradas do J-15, além de aviões de alerta antecipado KJ-600 e helicópteros de patrulha e resgate. Essa combinação amplia significativamente o alcance dos sensores navais, reforça a defesa aérea da frota e permite ataques de longo alcance contra alvos marítimos e terrestres.
Segundo analistas militares, o recado é claro: a China não se contenta mais em proteger apenas seu litoral — ela quer projetar poder a centenas de milhas de distância, disputando influência direta em regiões estratégicas como o mar do Sul da China, o estreito de Taiwan e o mar das Filipinas.
O coração de uma frota de ataque
O Fujian será o centro de um grupo de ataque naval composto por destróieres Tipo 055 e 052D, fragatas modernas e navios logísticos de apoio, capazes de garantir autonomia e proteção em longas operações no oceano. Embora ainda utilize propulsão convencional, e não nuclear, o navio é considerado por especialistas um divisor de águas para o equilíbrio militar na Ásia.
O novo porta-aviões chinês é uma mostra absoluta de superioridade em alto-mar, avalia um analista de defesa ouvido pela imprensa estatal.
O Fujian demonstra que Pequim atingiu um nível de capacidade tecnológica e industrial que antes era exclusividade do Ocidente.
Com essa nova embarcação, a China envia uma mensagem de duplo alcance: internamente, reafirma sua competência industrial e sua ambição de autossuficiência militar; externamente, mostra ao mundo que sua marinha já atua no mesmo patamar das grandes potências navais do século XXI.
Impacto geopolítico e reação internacional
A entrada do Fujian em operação ocorre em um contexto de crescente tensão regional. Os Estados Unidos mantêm presença constante no Indo-Pacífico, com bases militares em Japão, Guam e Filipinas, além de alianças estratégicas com Austrália e Coreia do Sul. O avanço chinês, portanto, tende a intensificar a disputa pela supremacia marítima e tecnológica na região.
Analistas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) afirmam que o novo porta-aviões “obriga todos os cenários de crise no mar do Sul da China a serem recalibrados”. Isso porque o Fujian amplia de forma expressiva a capacidade de resposta e dissuasão naval da China, podendo operar em múltiplos teatros ao mesmo tempo.
Apesar do entusiasmo de Pequim, o país ainda enfrenta desafios logísticos e operacionais para alcançar o nível de prontidão dos EUA, cuja frota de porta-aviões movidos a energia nuclear segue sendo a maior e mais experiente do mundo. Ainda assim, o lançamento do Fujian marca uma mudança de paradigma: a China, antes vista como uma potência continental, consolida-se agora como uma força marítima de projeção global.


