O adeus aos NFTs: de milhões em vendas a piadas e lágrimas na internet

O adeus aos NFTs: de milhões em vendas a piadas e lágrimas na internet

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Publicado em 02/11/25 às 07:16

O fenômeno dos NFTs, que há poucos anos parecia ser o novo Eldorado digital, chega ao seu epílogo com um saldo amargo: 95% dos tokens não têm mais qualquer valor de mercado. O que começou como uma promessa de riqueza instantânea transformou-se em um espetáculo global de ruína financeira — e, curiosamente, também em motivo de piada nas redes sociais.

nfts Bored ApeNFTs Bored Ape / Imagem: Reprodução Web

Do auge ao colapso

A história dos NFTs (tokens não fungíveis) começou timidamente em 2012, com as chamadas Colored Coins, mas só ganhou força em 2017, com o sucesso dos CryptoKitties na blockchain Ethereum. A ideia era simples e revolucionária: criar ativos digitais únicos, certificados pela tecnologia blockchain, que garantissem autenticidade e propriedade. Ao contrário das criptomoedas, cada NFT era exclusivo — algo que soava futurista, inovador e, por um tempo, extremamente lucrativo.

O auge veio em 2021. Obras digitais como Everydays: The First 5000 Days, do artista Beeple, foram vendidas pela Christie’s por impressionantes US$ 69 milhões. Coleções como o Bored Ape Yacht Club tornaram-se símbolos de status entre celebridades e investidores. Perfis no Twitter exibiam com orgulho seus “macacos entediados” como se fossem obras de arte contemporânea.

Mas o sonho desmoronou rápido. Em poucos meses, o que era euforia virou colapso. A bolha especulativa explodiu sob o peso da superoferta, da queda das criptomoedas e das suspeitas de fraudes e manipulação. De US$ 12 bilhões em transações no início de 2022, o mercado encolheu para cerca de US$ 1 bilhão em 2025.

Celebridades e investidores na ruína

A derrocada atingiu até os nomes mais famosos. Justin Bieber gastou cerca de US$ 1,3 milhão em um NFT do Bored Ape que hoje vale menos de 5% desse valor. O primeiro tuíte de Jack Dorsey, vendido em 2021 por US$ 2,9 milhões, chegou a valer apenas US$ 3,77 dois anos depois. Outros nomes como Seth Green, Jay Chou e Melania Trump também amargaram perdas significativas.

Em resumo, a ruína não foi apenas financeira — foi também pública. A internet transformou o colapso dos NFTs em um espetáculo de sarcasmo coletivo. Nas redes, investidores exibem suas perdas com um humor ácido, em uma espécie de terapia coletiva digital. Frases como “Comprei este NFT em 2022 por US$ 17 mil e agora vale US$ 10” tornaram-se virais.

nft declínio

Da promessa de revolução à lição de humildade

A ironia é inevitável: um NFT, no fim das contas, não é a obra digital em si, mas um certificado que aponta quem é o “dono” do original — um conceito difícil de sustentar em um universo onde a cópia é idêntica e ilimitada.

Ainda assim, muitos ex-investidores se recusam a abandonar o barco. Nos fóruns e comunidades online, é comum ouvir o mantra “Não se chora no cassino”, uma lembrança de que, em mercados de alto risco como o das criptomoedas, perder faz parte do jogo.

Para os analistas, o colapso dos NFTs é um exemplo clássico de bolha financeira impulsionada por entusiasmo irracional e desejo de lucro rápido. “Os NFTs não desapareceram como tecnologia”, apontam alguns especialistas, “mas a especulação desmedida matou o interesse público e afastou o capital institucional.”

nft

Um fim (quase) definitivo

Se o auge dos NFTs simbolizou o casamento entre tecnologia e arte digital, sua queda representa o divórcio entre ambição e realidade. Hoje, com 95% dos ativos digitais praticamente sem valor, o mercado dá sinais de esgotamento.

Mas há quem veja um lado positivo: a derrocada teria servido para depurar o setor, afastando especuladores e abrindo espaço para usos mais sólidos da tecnologia blockchain — em áreas como certificados acadêmicos, contratos inteligentes e registro de propriedade digital.

Ainda assim, para a maioria, os NFTs já têm um epitáfio claro: o de um sonho caro que virou meme.

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