
Amazon anuncia demissão de 14 mil funcionários como parte de reestruturação global impulsionada pela IA
Por Sandro Felix
Publicado em 28/10/25 às 16:58
A Amazon anunciou nesta terça-feira, 28 de outubro de 2025, a demissão de aproximadamente 14 mil funcionários corporativos em todo o mundo. A medida, considerada a maior redução de quadro corporativo da história da empresa, faz parte de um plano plurianual de enxugamento de custos e reestruturação organizacional, que visa adaptar a companhia às novas exigências do mercado impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial (IA). O anúncio foi feito por meio de um comunicado oficial divulgado no blog corporativo da empresa.
Segundo a vice-presidente sênior da Amazon, Beth Galetti, o objetivo da reestruturação é tornar a organização mais enxuta, com menos camadas hierárquicas e mais agilidade na tomada de decisões. Ela destacou que a atual geração de inteligência artificial é “a tecnologia mais transformadora desde a internet”, permitindo que empresas inovem de forma mais rápida e eficiente, tanto em mercados tradicionais quanto em novos segmentos. A executiva enfatizou que a Amazon precisa se organizar com mais leveza e foco para acompanhar essas mudanças, garantindo maior agilidade para atender seus clientes e impulsionar seus negócios.
Embora o número inicial de demissões anunciado seja de 14 mil, veículos como Reuters, CNBC e The Washington Post apontam que o total de cortes pode chegar a até 30 mil postos de trabalho. Com mais de 1,54 milhão de empregados em todo o mundo — a maioria no setor logístico — a Amazon conta atualmente com cerca de 350 mil funcionários corporativos. Os cortes representam cerca de 4% desse contingente. As demissões começaram a ser implementadas nesta terça-feira e devem atingir várias regiões, incluindo o Brasil. Os funcionários afetados terão um prazo de 90 dias para buscar oportunidades internas dentro da própria empresa. Aqueles que não forem realocados receberão pacote de indenização e benefícios adicionais.
O CEO da Amazon, Andy Jassy, já havia sinalizado anteriormente que a adoção da inteligência artificial permitirá à companhia operar com menos funcionários em determinadas funções. Em junho, ele escreveu em um post separado que a introdução de ferramentas de IA generativa e agentes virtuais mudará a forma como o trabalho é executado na empresa, exigindo menos pessoas para realizar certas tarefas e mais profissionais capacitados para novos tipos de atuação.
Apesar dos cortes, a Amazon reforçou que continuará contratando em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, automação e computação em nuvem, com um plano de recrutamento seletivo estendido até 2026. Os funcionários desligados terão prioridade nessas futuras vagas. A empresa já havia realizado cortes significativos em anos anteriores, com 27 mil demissões entre 2022 e 2023, e segue revisando sua estrutura organizacional à luz das transformações tecnológicas.
A decisão da Amazon reflete uma tendência crescente entre grandes empresas de tecnologia, que vêm reduzindo suas equipes como parte de esforços para aumentar a eficiência operacional em um cenário cada vez mais automatizado. Desde o fim da pandemia de COVID-19, período em que a companhia expandiu agressivamente seu quadro funcional para atender à alta demanda por e-commerce e serviços em nuvem, a gigante do varejo vem adotando uma postura mais cautelosa em relação ao tamanho de sua força de trabalho.
Com essa nova onda de cortes, a Amazon reforça sua intenção de se posicionar como líder na nova era da inteligência artificial, adaptando sua estrutura e operações às exigências de um mercado em rápida transformação. A reestruturação, embora drástica, visa preparar a companhia para o futuro, mesmo que, no presente, traga incertezas para milhares de trabalhadores ao redor do mundo.


