
Brasil se consolida como 4º maior mercado de energia solar do mundo, mas expansão exige atenção à segurança e qualidade dos equipamentos
Por Sandro Felix
Publicado em 23/10/25 às 16:02
O Brasil encerrou 2024 com um marco histórico na transição energética: a adição de 18,9 gigawatts (GW) de potência fotovoltaica, segundo o relatório SolarPower Europe (2025-2029), que contou com a participação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Com esse avanço, o país se consolidou como o quarto maior mercado de energia solar do mundo, atrás apenas da China, dos Estados Unidos e da Índia.
O levantamento destaca não apenas o crescimento da capacidade instalada, mas também o fortalecimento de novos modelos de eficiência energética, como o chamado Mercado Híbrido — uma tendência que combina geração solar, mercado livre de energia e armazenamento em baterias em uma única estratégia de gestão. Essa convergência tecnológica promete maior autonomia e eficiência no consumo, além de impulsionar a inovação no setor elétrico brasileiro.
No entanto, o rápido crescimento da energia solar no país acende um alerta importante: a necessidade de reforçar a qualidade e a segurança dos produtos utilizados nas instalações. Equipamentos como inversores, módulos fotovoltaicos, cabos, conectores e dispositivos de proteção contra arcos elétricos CC compõem sistemas de alta potência que, se não forem corretamente avaliados e instalados, podem representar riscos de incêndio, choques elétricos e perda de eficiência.
Para mitigar esses riscos, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) estabeleceu, por meio da Portaria nº 140/2022, a avaliação da conformidade de produtos fotovoltaicos, exigindo que fabricantes apresentem autodeclarações de conformidade. O processo assegura que os equipamentos tenham passado por testes rigorosos de desempenho e segurança elétrica antes de chegarem ao consumidor.
Especialistas do setor, no entanto, defendem que o processo avance para certificações mandatórias, garantindo maior confiabilidade e transparência. Segundo Marco Roque, vice-presidente de Produtos da Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ), o uso de equipamentos certificados é “um pilar essencial para a consolidação segura do mercado solar brasileiro”.
Quando um equipamento é certificado, significa que ele foi avaliado por organismos independentes e reconhecidos, seguindo normas nacionais e internacionais. Isso garante não apenas o desempenho energético, mas também a segurança das pessoas e das instalações, afirma Roque.
O executivo alerta que o ritmo acelerado de expansão precisa ser acompanhado por uma infraestrutura da qualidade robusta, que envolva metrologia, normalização, certificação, acreditação e inspeção. Esses elementos formam a base técnica que assegura a confiabilidade dos sistemas solares e a proteção dos investimentos realizados no setor.
A ABRIQ tem defendido a importância de que cada etapa da cadeia solar, desde a fabricação até a instalação, siga padrões técnicos estabelecidos. Um painel ou inversor sem proteções e certificação pode colocar em risco todo o sistema, afetando inclusive a imagem do setor de energia renovável como um todo, complementa o vice-presidente.
Com a evolução do Mercado Híbrido de energia e a crescente adoção de tecnologias de armazenamento, a tendência é que a demanda por produtos certificados e instaladores qualificados aumente de forma significativa nos próximos anos. Para Roque, a adoção de práticas baseadas no ciclo completo da Infraestrutura da Qualidade será determinante para garantir o desenvolvimento sustentável e seguro da matriz energética brasileira.
A adoção de práticas baseadas no ciclo completo da Infraestrutura da Qualidade é, portanto, um fator-chave para o desenvolvimento sustentável e seguro da matriz energética brasileira, conclui.
O avanço da energia solar representa uma conquista relevante para o país, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. Mas, à medida que o setor se expande, cresce também a responsabilidade de assegurar que cada painel, cada inversor e cada conexão obedeçam a padrões rigorosos de segurança. O futuro da energia limpa no Brasil depende, cada vez mais, da qualidade com que essa revolução solar é construída.

