
Sondas na órbita de Marte registram imagens inéditas do cometa 3I/ATLAS
Por Sandro Felix
Publicado em 12/10/25 às 07:16
O cometa interestelar 3I/ATLAS, terceiro objeto desse tipo já observado pelo ser humano, foi registrado em imagens inéditas capturadas pelo rover Perseverance, da NASA, e por duas sondas da Agência Espacial Europeia (ESA) que orbitam Marte: o ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) e o Mars Express. As observações ocorreram entre os dias 1º e 7 de outubro, quando o cometa passou a cerca de 30 milhões de quilômetros do planeta vermelho. A façanha representa um marco técnico significativo para a exploração espacial, devido à distância e ao desafio de detectar um corpo tão pequeno e pouco luminoso a partir de Marte.

O núcleo do 3I/ATLAS, com cerca de um quilômetro de diâmetro, não pôde ser distinguido diretamente pelas câmeras das sondas. Segundo a ESA, detectá-lo seria o equivalente a tentar ver um telefone celular da Terra colocado na superfície da Lua. No entanto, a presença do cometa foi confirmada pela identificação de sua coma – uma nuvem difusa de gás que envolve o núcleo gelado, formada pela sublimação de materiais voláteis ao se aproximar do Sol. Essa nuvem foi captada como um ponto branco em movimento nas imagens feitas pelo instrumento CaSSIS, a bordo do TGO.
A missão Mars Express também redirecionou suas câmeras na tentativa de registrar o cometa, mas as exposições curtas não foram suficientes para produzir uma imagem nítida. Cientistas da ESA ainda trabalham na combinação e no ajuste das imagens captadas para tentar realçar o contraste e, assim, identificar melhor o cometa nos dados obtidos.
Enquanto isso, o rover Perseverance, posicionado na superfície marciana, pode ter captado o rastro do cometa no céu marciano no dia 4 de outubro. As imagens, feitas com a câmera Navcam, mostram um traço luminoso que coincide com o momento de maior aproximação do 3I/ATLAS a Marte. A NASA ainda não confirmou oficialmente que se trata do cometa, mas a possibilidade é considerada plausível por especialistas, dada a coincidência temporal e as características do registro visual.

O pesquisador Nick Thomas, líder do instrumento CaSSIS, destacou que essa foi uma das observações mais desafiadoras já realizadas pelo equipamento, já que o cometa é entre 10 mil e 100 mil vezes mais fraco que os alvos usuais. Apesar da baixa luminosidade, o fenômeno traz oportunidades importantes para estudo da composição do cometa e de seu comportamento diante da radiação solar. Com o auxílio de espectrômetros, cientistas podem analisar a luz refletida pela coma para identificar os elementos presentes, o que deve se expandir com a formação de uma cauda mais visível à medida que o 3I/ATLAS se aproxima do Sol.

Descoberto em 1º de julho de 2025, o 3I/ATLAS é o terceiro cometa de origem interestelar já registrado, após ʻOumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019). Ele pode ter até três bilhões de anos a mais do que o próprio Sistema Solar, o que o torna um dos corpos mais antigos já observados e um verdadeiro relicário de informações sobre o ambiente interestelar.
A ESA planeja continuar o monitoramento do 3I/ATLAS em novembro, com a ajuda da sonda JUICE, que deverá registrar o cometa após sua maior aproximação ao Sol. Já para 2029, está prevista a missão Comet Interceptor, que tem como objetivo estudar cometas primitivos ou visitantes interestelares, permitindo respostas rápidas a fenômenos celestes inesperados e reforçando a capacidade da humanidade de entender melhor os mensageiros gelados vindos das profundezas do espaço.
