
Electronic Arts é vendida por US$ 55 bilhões para fundo soberano da Arábia Saudita
Por Sandro Felix
Publicado em 30/09/25 às 16:42
A Electronic Arts, gigante dos videogames fundada em 1982, foi oficialmente vendida por US$ 55 bilhões a um consórcio liderado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), em parceria com a firma de private equity Silver Lake e a Affinity Partners, de Jared Kushner. O anúncio da transação, divulgado nesta segunda-feira (29), marca uma das maiores aquisições da história do setor de tecnologia e entretenimento digital, colocando fim ao status de empresa de capital aberto da EA, que deixará de ser listada na bolsa de valores.
O acordo prevê o pagamento de US$ 210 por ação, o que representa um prêmio significativo de aproximadamente 25 % sobre o valor médio das ações nos dias que antecederam o anúncio. O financiamento da aquisição será dividido entre cerca de US$ 36 bilhões em capital próprio e US$ 20 bilhões em dívidas levantadas por grandes instituições financeiras, como o JPMorgan Chase. O fundo soberano saudita, que já detinha 9,9 % da EA, manterá sua participação através de uma reestruturação na nova empresa privada.
A expectativa é que a transação seja concluída até o primeiro trimestre fiscal de 2027, dependendo da aprovação dos acionistas e das autoridades regulatórias. Após o fechamento do negócio, a Electronic Arts será transformada em uma empresa de capital fechado e continuará operando com sede em Redwood City, na Califórnia, sob a liderança do atual CEO Andrew Wilson, que permanecerá no cargo.
Em nota oficial, Wilson declarou que a nova fase permitirá à EA acelerar sua estratégia de inovação e expansão, aproveitando a liberdade de não estar mais sujeita às pressões de curto prazo do mercado acionário. Ele enfatizou o compromisso da empresa com suas principais franquias e com o desenvolvimento de novos títulos para diversas plataformas, incluindo experiências imersivas com inteligência artificial e realidade aumentada.
O anúncio provocou reações imediatas no mercado financeiro, com alta de mais de 4 % nas ações da EA. Analistas de Wall Street avaliaram o valor da transação como alto, porém justo, considerando o histórico financeiro e o potencial da empresa. Por outro lado, parte da comunidade de investidores expressou preocupação com o futuro criativo da EA sob controle de grupos com interesses geopolíticos e comerciais distintos.
Com franquias bilionárias como FIFA, Madden NFL, The Sims e Battlefield sob seu comando, a Electronic Arts representa um ativo estratégico para o consórcio comprador, que busca ampliar sua presença no setor global de games — um mercado em forte expansão que movimenta mais de US$ 200 bilhões ao ano. A aquisição também sinaliza a crescente influência de fundos soberanos no entretenimento digital, reacendendo o debate sobre controle criativo, censura e interesses estratégicos em jogos com grande alcance cultural e político.
Enquanto a transição avança, ainda restam dúvidas sobre possíveis reestruturações internas, impactos em estúdios parceiros e no futuro lançamento de títulos aguardados. A aquisição da EA, no entanto, já entra para a história como um marco na consolidação do setor e no reposicionamento geopolítico do capital em torno da indústria global de entretenimento interativo.


