Trump anuncia tarifa de 100% sobre filmes estrangeiros e abre novo front em sua guerra comercial

Trump anuncia tarifa de 100% sobre filmes estrangeiros e abre novo front em sua guerra comercial

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Publicado em 29/09/25 às 16:12

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o mundo mais uma vez ao incluir o cinema entre os alvos de sua política de tarifas. Em uma mensagem publicada em sua rede social “Truth Social”, ele anunciou que pretende impor uma tarifa de 100% sobre todas as produções cinematográficas estrangeiras, justificando a medida como uma forma de proteger Hollywood do que chamou de “roubo” por parte de outros países.

Nos tiraram o negócio do cinema como quem rouba um doce de uma criança, escreveu Trump em sua rede social.

A proposta, inédita no campo cultural, imediatamente gerou questionamentos sobre sua aplicação prática. Não está claro se os novos impostos valerão apenas para filmes exibidos em salas ou também para conteúdos de streaming, como os catálogos da Netflix, Disney+ e Amazon Prime, compostos em grande parte por produções internacionais. Nem mesmo está definido se filmes norte-americanos rodados no exterior serão afetados.

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O anúncio faz parte de um pacote mais amplo de tarifas setoriais. Além do cinema, Trump propôs uma tarifa de 100% para medicamentos produzidos fora dos EUA, 50% sobre gabinetes de cozinha e bancadas de banheiro importados e 25% sobre caminhões pesados estrangeiros. Segundo ele, as medidas têm como objetivo “recuperar empregos perdidos” em setores estratégicos e reduzir a dependência do país em relação ao mercado externo.

Em sua publicação, Trump também atacou o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, a quem chamou de “fraco e incompetente” por não proteger Hollywood. A crítica faz parte de sua estratégia política de reforçar a narrativa do “America First”, transformando o cinema em mais um campo de batalha em sua agenda nacionalista.

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A ideia de taxar filmes estrangeiros não surgiu do nada. Em maio, Trump já havia ordenado ao Departamento de Comércio e à Representação Comercial dos EUA que estudassem a medida. “Queremos cinema feito nos Estados Unidos outra vez”, afirmou na época. Para seus defensores, a tarifa poderia oferecer uma proteção extra a Hollywood, setor que, segundo Trump, “está morrendo rapidamente”. Entretanto, a indústria cinematográfica vem apresentando sinais de recuperação após a pandemia, impulsionada pelo sucesso de grandes produções e pelo fortalecimento das plataformas digitais.

No cenário internacional, o anúncio acendeu alertas. Caso a medida seja aplicada de forma rígida, países com forte produção audiovisual, como Índia, Coreia do Sul, México e membros da União Europeia, poderão reagir com represálias comerciais. Além do impacto econômico, diplomatas destacam que a iniciativa pode gerar atritos culturais, já que o cinema sempre desempenhou um papel central como exportação simbólica dos Estados Unidos.

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