
China desenvolve equipamento capaz de cortar cabos submarinos e acende alerta mundial
Por Sandro Felix
Publicado em 28/09/25 às 06:41
A segurança das telecomunicações globais entrou em estado de atenção após o anúncio de um novo dispositivo desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Científica Naval da China (CSSRC). Apelidado informalmente de “mandíbulas de aço”, o equipamento é projetado para operar em grandes profundidades oceânicas e possui a capacidade de cortar os cabos submarinos responsáveis por transportar cerca de 95% do tráfego de dados mundial.
A revelação despertou preocupações imediatas em Washington e em outros órgãos de segurança ocidentais, que veem no dispositivo um possível risco às comunicações internacionais e à infraestrutura digital crítica.
Segundo informações divulgadas, o equipamento combina tecnologia naval e robótica avançada. Seu núcleo é uma lâmina de diamante que gira a 1.600 rotações por minuto, suficiente para atravessar aço e as camadas de proteção que envolvem os cabos de fibra óptica. O sistema pode ser acoplado a submersíveis como o Fendouzhe, que já atingiu profundidades de 4,9 quilômetros, permitindo acesso a trechos estratégicos da rede de cabos que cobre o fundo do oceano.
Além da potência de corte, o dispositivo dispõe de braços robóticos equipados com sensores acústicos e visuais, capazes de operar em condições extremas de pressão, correntes marítimas e até mesmo em cenários de instabilidade geológica. Seus componentes foram reforçados com aço e polímeros especiais, em um projeto que os engenheiros chineses apresentam como um marco da engenharia marítima.
Apesar de o CSSRC afirmar que a invenção tem objetivos civis — como salvamento em alto-mar, reparo de cabos danificados e mineração em águas profundas —, especialistas destacam o potencial de uso militar. O corte, mesmo que temporário, de cabos submarinos poderia interromper transações financeiras, comunicações governamentais e fluxos de informação essenciais para a economia digital.
Um relatório do Atlantic Council, publicado há dois anos, já havia alertado que esses cabos representam o “calcanhar de Aquiles da segurança digital mundial”, dada a vulnerabilidade das conexões que sustentam a comunicação entre continentes. Atualmente, estima-se que mais de 400 cabos submarinos interliguem o planeta, muitos deles passando por áreas de relevância geopolítica.
O Pentágono acompanha de perto os avanços do projeto, embora o governo dos Estados Unidos não tenha feito declarações oficiais. O cenário global, marcado pela crescente competição tecnológica e militar entre superpotências, intensifica as suspeitas em torno do dispositivo.
Enquanto os desenvolvedores insistem em seu uso pacífico, a possibilidade de cortar cabos de até seis centímetros de espessura gera receio entre autoridades de segurança internacional, que temem que a ferramenta possa se transformar em uma arma silenciosa e estratégica em caso de conflito.


