Governo japonês divulga simulação sobre erupção do Monte Fuji e alerta para impactos devastadores em Tóquio

Governo japonês divulga simulação sobre erupção do Monte Fuji e alerta para impactos devastadores em Tóquio

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Publicado em 01/09/25 às 16:17

O governo do Japão deu um passo inédito em sua política de prevenção de desastres ao divulgar, no último domingo (31), um vídeo criado com inteligência artificial que simula os efeitos de uma hipotética erupção do Monte Fuji sobre os cerca de 20 milhões de habitantes da região metropolitana de Tóquio. A iniciativa, conduzida pela Divisão de Prevenção de Desastres do governo metropolitano, busca conscientizar a população sobre os riscos de um evento natural considerado plausível, ainda que não iminente.

A simulação começa com uma cena cotidiana: uma mulher, em meio à multidão, recebe no celular um alerta de erupção. A partir daí, a animação mostra colunas de fumaça emergindo do Fuji e, em seguida, a rápida propagação da nuvem de cinzas, que poderia percorrer mais de 100 quilômetros até a capital japonesa em apenas duas horas. O vídeo ilustra ruas cobertas, veículos imobilizados e prédios envoltos em escuridão em pleno dia.

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Especialistas lembram que o Monte Fuji, o vulcão mais icônico do país, não entra em atividade desde a erupção Hoei, em 1707. Historicamente, registrava erupções a cada três décadas, mas já acumula mais de três séculos de dormência. O temor cresce em paralelo aos avisos sísmicos: no início do ano, autoridades científicas estimaram em 80% a probabilidade de ocorrência de um grande terremoto na Fossa de Nankai nos próximos 30 anos.

De acordo com cálculos oficiais, uma erupção de grande magnitude do Fuji poderia liberar 1.700 milhões de metros cúbicos de cinzas, sendo que quase 500 milhões se depositariam sobre infraestruturas urbanas, como estradas e edifícios. O impacto econômico também seria significativo, com perdas estimadas em 2,5 trilhões de ienes (cerca de 14,2 bilhões de dólares). Entre as consequências previstas estão o colapso de construções frágeis de madeira, paralisação do transporte ferroviário, cortes de energia elétrica e graves dificuldades na distribuição de alimentos e produtos essenciais.

Nas redes sociais, as reações ao vídeo foram variadas. Enquanto alguns usuários manifestaram apreensão diante da possibilidade de um colapso total do transporte em Tóquio, outros criticaram a iniciativa como alarmista. “Isso é usado para gerar medo e sensação de crise”, escreveu um internauta.

Apesar das críticas, o governo insiste na necessidade de preparação. O vídeo inclui orientações práticas, como manter estoques de alimentos enlatados, água potável e kits de primeiros socorros suficientes para duas semanas. No entanto, moradores destacam a dificuldade de seguir essas recomendações em verões marcados por altas temperaturas, quando a falta de eletricidade poderia agravar ainda mais a situação.

Monte Fuji

Localizado no chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, o Japão convive com alto risco sísmico e vulcânico. Dos cerca de 1.500 vulcões ativos do planeta, 111 estão em território japonês. Para as autoridades, a divulgação do vídeo não tem o objetivo de provocar pânico, mas sim de reforçar a cultura de prevenção que já faz parte do cotidiano do país.

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