Intel confirma aporte de US$ 5,7 bilhões do governo americano

Intel confirma aporte de US$ 5,7 bilhões do governo americano

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Publicado em 29/08/25 às 16:32

A Intel confirmou nesta semana que recebeu US$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 30,9 bilhões) do governo norte-americano, como parte de um acordo que concede à administração Trump 10% de participação acionária na companhia. A medida, inédita para uma gigante privada do setor de tecnologia, dividiu opiniões em Washington e deixou o mercado financeiro em alerta.

O acerto teria sido articulado em uma reunião entre o CEO da empresa, Lip-Bu Tan, e o presidente Donald Trump, na Casa Branca. Enquanto a Intel defende o investimento como essencial para manter sua divisão de fabricação de chips, críticos republicanos classificaram a operação como uma intervenção governamental que “cheira a socialismo ou comunismo”.

intel e trump

Crise prolongada e risco de venda da divisão

A decisão acontece em um momento delicado para a fabricante. Nos últimos anos, a Intel viu sua participação encolher diante da concorrência de AMD, TSMC e Samsung, acumulando resultados negativos. Apenas em 2024, a área de manufatura somou perdas de US$ 13 bilhões (R$ 70,5 bilhões), o que levou investidores a pressionarem pela venda da unidade responsável pela produção de semicondutores.

Com o caixa pressionado, a companhia chegou a considerar a suspensão do desenvolvimento do processo de 14A, caso não conseguisse atrair clientes para a tecnologia. A hipótese de se desfazer totalmente do setor de fundição também foi discutida.

Fabricas Intel

Investimentos paralelos e reorganização interna

Apesar das dificuldades, a Intel atraiu outros interessados. O conglomerado japonês SoftBank decidiu investir US$ 2 bilhões (R$ 10,8 bilhões) na companhia, após avaliar a compra do braço de fundição. Para analistas, o aporte reforça a percepção de que a fabricante não corre risco de desaparecer, sobretudo diante do interesse estratégico de Washington em manter a empresa competitiva em áreas ligadas a inteligência artificial e defesa militar.

A Intel também tem buscado reforçar seu caixa com cortes de pessoal e venda de ativos. Entre as medidas, estão a negociação de parte da subsidiária MobileEye, especializada em direção autônoma, e a transferência do controle majoritário da Altera, focada em design de chips.

fabricação chips intel

Produtos ainda mostram fôlego

Mesmo em meio à crise, a empresa conseguiu registrar um respiro com o lançamento de suas placas de vídeo Arc. O desempenho positivo dos novos modelos foi bem recebido pelo público, ainda que a fatia de mercado siga limitada. No Brasil, varejistas como a Kabum já oferecem opções como a Arc B580, que parte de R$ 2.259,99, e a mais acessível Arc A310, por R$ 889,99.

Para especialistas, o aporte bilionário do governo norte-americano não apenas garante sobrevida à Intel, mas também sinaliza uma mudança no papel do Estado dentro da indústria de semicondutores — cada vez mais vista como estratégica em meio à disputa global por supremacia tecnológica.

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