
Esqueça o Planeta X! Além de Netuno, pode haver um Planeta Y do tamanho da Terra
Por Sandro Felix
Publicado em 24/08/25 às 07:05
O Sistema Solar pode estar abrigando mais um planeta desconhecido em suas regiões mais distantes. Um novo estudo, aceito para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e já disponível no repositório científico ArXiv, sugere a presença de um corpo celeste até então não identificado, apelidado de “Planeta Y”.
A hipótese surge a partir da análise do movimento de objetos transnetunianos (TNOs), pequenos corpos gelados que orbitam além de Netuno. Segundo os pesquisadores, a órbita desses objetos apresenta uma curvatura de cerca de 15 graus em relação ao plano médio do Sistema Solar — um desvio estatisticamente significativo, com apenas 2% de chance de ser fruto do acaso.
O fenômeno poderia ser explicado pela presença de um planeta com massa entre a de Mercúrio e a da Terra, orbitando a uma distância de 100 a 200 unidades astronômicas (UA) do Sol — sendo 1 UA a distância média entre a Terra e a estrela. Um corpo com a massa de Plutão também poderia justificar a anomalia, mas os autores do trabalho consideram essa hipótese menos provável. Por outro lado, qualquer planeta maior que a Terra já teria deixado sinais claros entre 50 e 80 UA e, muito provavelmente, já teria sido detectado.

A busca por planetas ainda não descobertos no Sistema Solar não é novidade. Durante muito tempo, acreditava-se na existência do chamado “Planeta X”, nome inspirado tanto no número romano 10 quanto no “X” usado em matemática para indicar algo desconhecido. Mais recentemente, ganhou força a hipótese do “Planeta 9”, um possível mundo maior que a Terra e menor que Netuno, que poderia estar a centenas de vezes a distância entre a Terra e o Sol. Agora, com os novos indícios, os pesquisadores sugerem a existência de um “Planeta Y” — um candidato menor e mais próximo do que o hipotético Planeta 9, mas ainda assim intrigante.
Os resultados trazem expectativas para os próximos anos. O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, está prestes a iniciar o Legacy Survey of Space and Time (LSST), um mapeamento de longo prazo do céu noturno. O estudo aponta que, caso o Planeta Y realmente exista e esteja dentro do campo de visão do telescópio, será possível detectá-lo diretamente.
Se tal corpo existir, provavelmente será detectável pelo LSST, afirmaram os autores no artigo.
E, mesmo que sua localização impeça a observação direta, o levantamento ajudará a esclarecer os detalhes da curvatura no plano médio do cinturão de Kuiper induzida por esse planeta.
Com a possibilidade de confirmação em poucos anos, a busca pelo “Planeta Y” reacende a curiosidade sobre os limites do Sistema Solar, onde a influência do Sol já se enfraquece e sua luz é apenas mais uma entre bilhões de estrelas no céu.
