Cientistas detectam moléculas orgânicas complexas em sistema estelar em formação, reforçando hipótese de origem cósmica da vida

Cientistas detectam moléculas orgânicas complexas em sistema estelar em formação, reforçando hipótese de origem cósmica da vida

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Publicado em 09/08/25 às 16:30

Um estudo recém-publicado no periódico The Astronomical Journal, conduzido pelo Instituto Max Planck de Astronomia, reforça a hipótese de que a vida pode ter um berço cósmico. Utilizando o radiotelescópio ALMA, no Chile, uma equipe internacional de astrônomos identificou 17 moléculas orgânicas complexas no disco protoplanetário da estrela V883 Orionis, localizada a cerca de 1.300 anos-luz da Terra, no cinturão de Órion. Entre as substâncias encontradas estão compostos-chave para a química prebiótica, como etilenoglicol e glicolonitrilo — considerados precursores de açúcares e aminoácidos.

disco protoplanetário em torno da estrela V883 OrionisDisco protoplanetário em torno da estrela V883 Orionis / Imagem: Reprodução

O achado confirma a presença desses “tijolos fundamentais” para a vida no espaço e sugere que eles podem se formar antes mesmo da existência de planetas. “Nossos resultados indicam que discos protoplanetários herdam moléculas complexas de estágios anteriores, e que sua formação pode continuar durante essa fase”, explica Kamber Schwarz, coautor do estudo.

Essas moléculas poderiam ter chegado à Terra primitiva por meio de cometas ou meteoritos, como propõem os modelos de panspermia e de síntese abiótica. De acordo com os pesquisadores, tais compostos são essenciais para a construção de moléculas biológicas mais complexas, como proteínas e ácidos nucleicos. Em condições ambientais adequadas, eles poderiam se concentrar e evoluir até desencadear reações químicas semelhantes aos processos vitais.

moléculas primitivasReprodução artística de moléculas primitivas / Imagem: Reprodução

A química prebiótica já havia sido observada em outros ambientes, como em cometas e regiões geladas de estrelas distantes, mas a detecção em um sistema estelar em formação como V883 Orionis reforça a ideia de que a vida pode começar muito antes da formação efetiva de planetas. Para Schwarz, a presença desses compostos pode ser comum no universo. “Talvez existam substâncias químicas mais complexas que simplesmente ainda não identificamos”, observa, lembrando as limitações atuais dos instrumentos de observação.

A pesquisa abre uma janela para o passado remoto do Sistema Solar e para o futuro da astrobiologia. A expectativa é que, com técnicas de espectroscopia aplicadas a exoplanetas próximos, seja possível detectar moléculas semelhantes e avaliar se os processos que levaram à vida na Terra estão ocorrendo — ou já ocorreram — em outros cantos do cosmos. Enquanto isso, V883 Orionis serve como um lembrete de que o universo é um vasto laboratório químico, onde os ingredientes da vida se combinam desde as suas fases mais primitivas.

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