Cães detectam Parkinson anos antes dos sintomas com precisão impressionante

Cães detectam Parkinson anos antes dos sintomas com precisão impressionante

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Publicado em 29/07/25 às 16:49

Dois cães farejadores treinados, uma golden retriever chamada Bumper e uma labradora preta chamada Peanut, demonstraram a capacidade de identificar o Mal de Parkinson a partir do cheiro, revelando uma nova e promissora possibilidade para o diagnóstico precoce da doença. A descoberta foi publicada recentemente no Journal of Parkinson’s Disease e pode representar um marco na detecção antecipada da condição neurodegenerativa.

Ao longo de até um ano de treinamento, os animais aprenderam a distinguir as secreções oleosas da pele – conhecidas como sebo – de pessoas diagnosticadas com Parkinson em comparação às de indivíduos saudáveis. No total, os cães analisaram 205 amostras de sebo, sendo posteriormente submetidos a um rigoroso teste duplo-cego, que envolveu 40 amostras de pacientes com a doença e outras 60 de pessoas sem a condição.

Os resultados impressionaram: Peanut conseguiu identificar corretamente a presença da doença em 80% dos casos, além de apresentar uma taxa de 98% de acerto ao reconhecer amostras negativas. Já Bumper alcançou 70% de precisão na identificação de casos positivos e 90% em diagnósticos negativos.

Segundo os pesquisadores responsáveis, esses índices de sensibilidade – 70% e 80% – estão “muito acima do acaso” e superam de forma significativa a acurácia registrada por cães treinados para detectar outros tipos de câncer, como o de bexiga, que apresenta cerca de 41% de acerto.

A pesquisadora Claire Guest, uma das autoras do estudo, destacou a importância da descoberta.

Atualmente, não existe um teste precoce para a Doença de Parkinson, e os sintomas podem começar até 20 anos antes de se tornarem visíveis e persistentes, o que atrasa o diagnóstico, explicou.

Um diagnóstico em tempo hábil é essencial, pois o tratamento subsequente pode desacelerar a progressão da doença e reduzir a intensidade dos sintomas.

Apesar dos avanços, os cientistas ressaltam que nem todos os cães são aptos a desempenhar essa função com o mesmo nível de eficácia. Dos dez cães inicialmente selecionados para o treinamento, apenas cinco mostraram potencial para seguir com o processo. Três deles não conseguiram concluir o curso, deixando apenas Bumper e Peanut como os “super farejadores” aptos a realizar o teste final.

Os autores do estudo enfatizam que, embora os cães não devam substituir métodos clínicos para diagnóstico, eles podem auxiliar no desenvolvimento e validação de novas abordagens para triagem e diagnóstico rápido. “Isso pode, por sua vez, abrir caminho para intervenções mais precoces e ser especialmente útil em casos difíceis de diagnosticar”, afirmam os cientistas.

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