Astrônomos descobrem um novo planeta fóssil no sistema solar que pode resolver o mistério do Planeta Nove

Astrônomos descobrem um novo planeta fóssil no sistema solar que pode resolver o mistério do Planeta Nove

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Publicado em 22/07/25 às 16:12

Um pequeno e misterioso objeto nos arredores do Sistema Solar reacendeu um dos debates mais intrigantes da astronomia moderna. Batizado de Ammonite, o corpo gelado foi detectado pelo telescópio Subaru, no Havaí, e pode conter pistas valiosas sobre os primórdios do nosso sistema planetário — mas, ao mesmo tempo, coloca em xeque uma das hipóteses mais populares da última década: a existência do chamado Planeta Nove.

A descoberta ocorreu em 2023, como parte do projeto internacional FOSSIL II, que busca rastrear vestígios antigos do Sistema Solar. Ammonite é classificado como um sednoide, um tipo extremamente raro de objeto transnetuniano. Seu periélio — o ponto mais próximo do Sol em sua órbita — está a 66 unidades astronômicas (UA), mais que o dobro da distância de Netuno. Com uma órbita excêntrica e isolada, ele permanece praticamente imune às influências gravitacionais dos grandes planetas.

Ammonite planetO objeto transnetuniano apelidado de Amonite se move pelo céu ao longo de várias horas em maio de 2023. Seu diâmetro é estimado entre 217 e 377 quilômetros. / Imagem: Nasa

O nome escolhido remete aos fósseis marinhos de ammonites, e não por acaso. Assim como esses fósseis revelam os oceanos do passado, Amonite é considerado uma cápsula do tempo cósmica. Com um diâmetro estimado entre 220 e 380 quilômetros, o corpo gelado parece ter orbitado o Sol de forma praticamente inalterada desde a formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos.

Mais intrigante ainda é o local em que Amonite foi encontrado. Ele ocupa uma faixa conhecida como “lacuna do periélio”, entre 50 e 75 UA, onde até então não se havia detectado nenhum sednoide. Além de Sedna, 2012 VP113 e Leleākūhonua, Ammonite passa a ser o quarto objeto desse tipo já identificado, e rapidamente ganhou destaque entre os astrônomos como uma peça-chave para reconstruir o passado remoto do Sistema Solar.

Entretanto, a descoberta trouxe um dilema. Por anos, a comunidade científica vinha interpretando a distribuição orbital dos sednoides como um indício forte da existência do Planeta Nove — um planeta gigante invisível, cuja gravidade explicaria as órbitas agrupadas desses corpos distantes. No entanto, a órbita de Ammonite não segue esse padrão. Ela se encontra desalinhada e até aponta na direção oposta, o que seria difícil de explicar caso o Planeta Nove realmente existisse. Modelos atuais sugerem que, nessas condições, Ammonite teria sido expulso do Sistema Solar há milhões de anos.

Ammonite planet

Em busca de respostas, pesquisadores do Instituto de Astronomia e Astrofísica da Academia Sínica, em Taiwan, realizaram simulações para retroceder no tempo as órbitas dos quatro sednoides conhecidos. A surpresa veio quando descobriram que, há cerca de 4,2 bilhões de anos, os periélios desses corpos estavam perfeitamente alinhados. A dispersão só teria começado posteriormente, indicando que um grande evento gravitacional pode ter alterado suas órbitas de maneira permanente.

Entre as hipóteses consideradas para esse evento, duas se destacam. A primeira sugere que uma estrela errante passou perto do Sol nos primeiros milhões de anos do Sistema Solar, provocando um forte distúrbio gravitacional. Já a segunda teoria aponta para um “planeta rebelde” — um corpo massivo que teria existido no passado remoto, moldado as órbitas dos objetos exteriores, e depois sido ejetado do Sistema Solar rumo ao espaço interestelar. Não seria o Planeta Nove procurado atualmente, mas sim um planeta perdido de eras passadas.

Embora não brilhe no céu nem afete diretamente a Terra, Ammonite representa uma janela para os segredos mais antigos e profundos do nosso Sistema Solar. Sua órbita silenciosa, distante e peculiar reforça a ideia de que ainda há muito a ser descoberto além dos limites conhecidos.

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