
Tóquio implementa semana de quatro dias de trabalho para enfrentar crise demográfica
Por Sandro Felix
Publicado em 14/07/25 às 16:52
Em uma tentativa ousada de enfrentar a grave crise demográfica que assola o Japão, o Governo Metropolitano de Tóquio anunciou uma nova medida que promete transformar a rotina de trabalho na capital: a adoção da semana laboral de quatro dias, acompanhada por uma redução de duas horas diárias na jornada. A iniciativa entra em vigor dentro de um mês e tem como objetivo aliviar a pressão sobre os trabalhadores, ao mesmo tempo em que busca incentivar a formação de famílias, em meio ao declínio histórico das taxas de natalidade.
A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, afirmou que a flexibilidade na jornada é essencial para garantir que as mulheres não sejam forçadas a abandonar suas carreiras por conta das responsabilidades familiares. Em sua avaliação, a conciliação entre vida profissional e pessoal será um fator determinante para reverter o atual cenário de baixa natalidade e envelhecimento populacional.
Com uma taxa de fecundidade de apenas 0,99 filhos por mulher na capital — muito abaixo dos 2,1 filhos necessários para manter o equilíbrio populacional — o governo japonês vê na reforma trabalhista uma possível solução para tornar o ambiente mais favorável à criação de filhos, sem exigir sacrifícios profissionais excessivos.
O modelo não é totalmente inédito. Em 2022, o Reino Unido realizou um experimento semelhante com a semana de quatro dias, e os resultados mostraram avanços tanto na produtividade quanto na qualidade de vida dos trabalhadores. Ainda assim, o desafio japonês é mais complexo, dada a cultura laboral profundamente enraizada, caracterizada por longas horas e dedicação extrema ao trabalho.
Desde a década de 1990, o Japão tem adotado uma série de políticas para enfrentar o declínio populacional, incluindo subsídios para nascimentos, programas de incentivo a casamentos e até uma abertura gradual à imigração. No entanto, essas ações tiveram impacto limitado até agora, aumentando a urgência por medidas mais estruturais e eficazes.
Pesquisas recentes apontam que a redução da carga horária pode ser um passo importante na direção certa. Homens que trabalham apenas quatro dias por semana tendem a dedicar 22% mais tempo ao cuidado dos filhos e 23% mais às tarefas domésticas. Em um país onde as mulheres ainda assumem até cinco vezes mais obrigações domésticas que os homens, o governo de Tóquio aposta em uma mudança cultural e social profunda.


