Fungo mortal encontrado na tumba de Tutancâmon pode ser a arma definitiva contra o câncer, revela estudo

Fungo mortal encontrado na tumba de Tutancâmon pode ser a arma definitiva contra o câncer, revela estudo

Data

Publicado em 30/06/25 às 16:09

Durante décadas, a abertura da tumba de Tutancâmon, em 1922, no Egito, foi envolta em um véu de mistério e morte. Vários arqueólogos e trabalhadores que participaram da famosa expedição sofreram mortes prematuras, alimentando o mito da chamada “maldição do faraó”. No entanto, cientistas agora oferecem uma explicação mais plausível e surpreendentemente promissora: a causa dessas mortes pode ter sido um fungo letal presente no interior da tumba, que hoje se revela uma esperança para o tratamento de certos tipos de câncer.

Trata-se do Aspergillus flavus, um fungo cujo esporos, ao serem inaladas, podem provocar infecções pulmonares severas — especialmente perigosas para pessoas com o sistema imunológico comprometido. Embora tenha sido por muito tempo associado a doenças e fatalidades, o Aspergillus flavus está sendo reavaliado por cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, como um potencial aliado da medicina moderna.

Aspergillus flavusFungo Aspergillus flavus

De acordo com um estudo publicado recentemente na revista Nature Chemical Biology, esse fungo é capaz de produzir compostos conhecidos como péptidos ribossomalmente sintetizados e modificados pós-traducionalmente (RiPPs). Esses compostos podem ser alterados quimicamente por meio de um processo chamado lipidificação, que transforma substâncias originalmente tóxicas em moléculas terapêuticas com a capacidade de combater células tumorais, como as da leucemia.

“A síntese desses compostos é complexa, mas é justamente essa complexidade que lhes confere uma bioatividade notável”, explicou a pesquisadora Qiuyue Nie, autora principal do estudo. Um dos compostos identificados pela equipe, batizado de asperigimicina, demonstrou resultados promissores em testes pré-clínicos, ao estimular o sistema imunológico a reagir contra células cancerosas.

células cancerigenasReprodução artística de células cancerígenas

Apesar dos desafios ainda enfrentados — como a purificação em escala industrial e a criação de formulações seguras para o uso humano — os cientistas se mostram otimistas quanto ao potencial terapêutico desse antigo inimigo microbiológico. O que antes era temido como um símbolo de maldição pode agora se tornar uma ferramenta vital na luta contra uma das doenças mais devastadoras do século.

Deixe seu comentário

Deixe um comentário