O que é a Bomba Antibunker GBU-57A/B, usada pelos EUA em ataque ao Irã

O que é a Bomba Antibunker GBU-57A/B, usada pelos EUA em ataque ao Irã

Data

Publicado em 22/06/25 às 12:42

Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, um nome volta a dominar os noticiários de defesa e geopolítica: GBU-57A/B, ou Massive Ordnance Penetrator (MOP). Trata-se da maior bomba antibunker não nuclear do mundo, desenvolvida pelos Estados Unidos especificamente para destruir instalações subterrâneas fortemente protegidas — como foi o caso recente dos ataques contra os complexos nucleares iranianos.

Com um peso aproximado de 13.600 kg, a GBU-57A/B foi desenvolvida pela Boeing para a Força Aérea dos Estados Unidos. Seu propósito é claro: penetrar profundidades extremas de rocha, concreto e aço, atingindo bunkers que nenhuma outra bomba convencional conseguiria alcançar.

A bomba possui uma ogiva de alta precisão que permite atravessar até 60 metros de concreto reforçado ou cerca de 40 metros de rocha compacta, antes de detonar no interior da estrutura alvo. Sua carga explosiva — composta por aproximadamente 2.082 kg de explosivos de alta potência — é projetada para maximizar o impacto, garantindo que a detonação ocorra exatamente onde gera maior dano.

GBU-57A-B

Por que essa bomba foi usada no Irã?

O recente ataque dos EUA contra o Irã tinha como foco instalações nucleares profundamente enterradas, como o complexo de Fordow, que está localizado sob uma montanha com mais de 80 a 90 metros de rocha. Esses locais são projetados exatamente para resistir a ataques convencionais — mas não à GBU-57A/B.

Fontes militares revelaram que essa é a primeira vez que a bomba MOP é utilizada em combate real, após anos sendo mantida como arma de dissuasão. A missão foi realizada por bombardeiros furtivos B-2 Spirit, as únicas aeronaves capazes de transportar essa bomba gigantesca, graças à sua combinação de capacidade de carga e tecnologia stealth.

Características técnicas da GBU-57A/B

Especificação Detalhes
Peso Total 13.600 kg
Comprimento 6,2 metros
Diâmetro 0,8 metros
Peso da Ogiva Cerca de 2.082 kg de explosivos AFX-757
Penetração Até 60 metros de concreto ou 40 metros de rocha
Transporte Bombardeiro furtivo B-2 Spirit
Guiagem GPS de alta precisão com fusível retardado

GBU-57A-B diagramaModo de funcionamento de GBU-57A/B / Imagem: AFP

Por que essa bomba é tão temida?

O enorme poder destrutivo da GBU-57A/B não reside apenas na sua carga explosiva, mas na capacidade de levar essa carga até o coração de estruturas projetadas para serem invulneráveis. Ela foi criada justamente porque bombas anteriores, como a GBU-28 — usada na Guerra do Golfo e pela aviação israelense —, não tinham capacidade suficiente para penetrar fortificações tão profundas.

Analistas explicam que, antes do desenvolvimento da MOP, instalações como Fordow, no Irã, eram consideradas praticamente imunes a ataques convencionais. A GBU-57A/B mudou completamente essa equação, forçando países que investem em programas nucleares clandestinos a repensarem seus conceitos de proteção.

O uso da GBU-57A/B sinaliza uma nova fase no tipo de armamento empregado em conflitos modernos. Ela representa a capacidade dos EUA de atacar, com precisão e devastação, alvos que até então eram considerados inalcançáveis.

Por outro lado, esse evento também levanta preocupações sobre a escalada militar. Afinal, o emprego de uma arma desse porte — mesmo sendo convencional e não nuclear — pode ser interpretado como um aviso contundente, não apenas ao Irã, mas também a outras potências rivais, como Coreia do Norte, Rússia e China, que possuem instalações subterrâneas críticas.

Deixe seu comentário

Deixe um comentário