
Sonda Solar Orbiter revela pela primeira vez imagens do polo sul do Sol
Por Sandro Felix
Publicado em 11/06/25 às 17:11
A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou as primeiras imagens inéditas do Polo Sul do Sol capturadas pela sonda Solar Orbiter. Essa descoberta representa um momento histórico na exploração espacial, proporcionando à humanidade a primeira visão já registrada da estrela mais próxima da Terra.

Apesar de parecer surpreendente, até hoje nunca havíamos visto os polos solares. A razão está na mecânica celeste: quando uma espaçonave é lançada da Terra, ela carrega o momento orbital do nosso planeta em torno do Sol, mantendo uma trajetória alinhada aproximadamente ao equador solar. Isso limita nossa capacidade de observar diretamente os polos da estrela.
Para superar esse desafio, a Solar Orbiter utilizou uma série de manobras com auxílio gravitacional, usando planetas como Vênus para alterar sua trajetória e reduzir a velocidade orbital herdada da Terra. Em uma dessas manobras, realizada no início deste ano, a sonda atingiu uma inclinação de 17 graus em relação ao equador solar, possibilitando as primeiras imagens do Polo Sul.
Hoje revelamos as primeiras imagens humanas do polo solar, declarou a professora Carole Mundell, diretora científica da ESA.
O Sol é nossa estrela mais próxima, fonte de vida e possível causador de distúrbios em sistemas espaciais e terrestres. É fundamental compreendê-lo e prever seu comportamento. Essas visões únicas inauguram uma nova era da ciência solar.
As imagens iniciais foram feitas enquanto a sonda se encontrava a 15° abaixo do equador solar, ainda abaixo da inclinação máxima atual. Os registros foram produzidos por três instrumentos científicos: o Polarimetric and Helioseismic Imager (PHI), que observa a emissão de luz visível e o campo magnético; o Extreme Ultraviolet Imager (EUI), que estuda a coroa solar extremamente quente; e o Spectral Imaging of the Coronal Environment (SPICE), que analisa os gases carregados acima da superfície solar.
Não sabíamos exatamente o que esperar dessas observações iniciais – os polos solares são literalmente uma terra incógnita, comentou o professor Sami Solanki, líder da equipe do PHI no Instituto Max Planck de Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha.

O conjunto completo de dados das observações de polo a polo será disponibilizado em outubro, com todos os 10 instrumentos da Solar Orbiter fornecendo imagens e informações científicas, incluindo registros do Polo Norte solar. Futuras aproximações com Vênus permitirão à sonda atingir inclinações ainda maiores: 24° em dezembro de 2026 e 33° a partir de 10 de junho de 2029.
Esse é apenas o primeiro passo da ‘escada para o céu’ da Solar Orbiter: nos próximos anos, a espaçonave sairá ainda mais do plano da eclíptica, obtendo visões cada vez melhores das regiões polares do Sol. Esses dados transformarão nosso entendimento sobre o campo magnético solar, o vento solar e a atividade solar, explicou Daniel Müller, cientista do projeto Solar Orbiter da ESA.
