
Objeto misterioso no espaço emite sinais a cada 44 minutos e intriga cientistas
Por Sandro Felix
Publicado em 31/05/25 às 16:43
Um objeto espacial inédito foi identificado por astrônomos a cerca de 15 mil anos-luz da Terra, na Via Láctea. Denominado ASKAP J1832-0911, ele apresenta um comportamento jamais observado anteriormente: a emissão sincronizada de pulsos de ondas de rádio e raios X com duração de dois minutos a cada 44 minutos. A descoberta, que desafia o entendimento atual sobre os corpos celestes, foi feita por meio do radiotelescópio ASKAP, na Austrália, e confirmada posteriormente pelo Observatório de Raios X Chandra, da NASA.
Classificado como um “transiente de rádio de longo período” (ou LPT, na sigla em inglês), o ASKAP J1832-0911 pertence a uma classe rara e recente de objetos cósmicos detectados a partir de 2022. Até o momento, os cientistas identificaram cerca de dez LPTs, mas nenhum com características semelhantes a esse. Enquanto pulsações em pulsares convencionais — estrelas de nêutrons girando rapidamente — acontecem em milissegundos ou segundos, os LPTs emitem sinais em intervalos de minutos ou horas, e o ASKAP J1832-0911 é o primeiro a mostrar sinais de raios X regulares combinados com pulsos de rádio.
Zieng (Andy) Wang, pesquisador da Curtin University e líder da equipe responsável pelo estudo, afirmou que encontrar as emissões de raios X desse objeto foi como “encontrar uma agulha no palheiro”. Isso porque o ASKAP tem um amplo campo de visão, enquanto o Chandra observa áreas limitadas do céu. Foi uma coincidência incomum que ambos os instrumentos tenham registrado a mesma região do espaço ao mesmo tempo.

A origem e a natureza do ASKAP J1832-0911 ainda é um mistério. Embora os cientistas especulem que se trate de uma estrela morta, o tipo específico permanece indefinido. Algumas teorias sugerem que pode ser um magnetar, núcleo altamente magnetizado de uma estrela colapsada, enquanto outras apontam para a possibilidade de um sistema binário contendo uma anã branca com campos magnéticos intensos. No entanto, nenhuma dessas hipóteses explica completamente o padrão de emissões observadas.
Os cientistas envolvidos no estudo, que contou com a colaboração de instituições como o Instituto de Astrofísica de Andalucía (IAA-CSIC) e o Instituto de Ciências do Espaço (ICE-CSIC), afirmam que a descoberta pode representar uma nova classe de objetos astrofísicos. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature, e os próximos passos incluem a busca por outros corpos com comportamentos similares, o que pode ajudar a desvendar os processos por trás das emissões regulares e intensas detectadas em ASKAP J1832-0911.
