Nova pesquisa revela que antigos vales em Marte foram moldados por chuvas e não apenas por degelo

Nova pesquisa revela que antigos vales em Marte foram moldados por chuvas e não apenas por degelo

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Publicado em 26/04/25 às 07:01

Um estudo recente trouxe novas evidências de que Marte, há bilhões de anos, pode ter tido um clima suficientemente quente para sustentar chuvas, contrariando teorias anteriores de que o planeta era sempre frio e seco.

Pesquisadores da área de ciência planetária utilizaram simulações computadorizadas para testar duas hipóteses principais sobre a formação dos extensos vales encontrados na superfície marciana: uma envolvendo precipitação em um clima quente e úmido, e outra focada no derretimento temporário de gelo em um ambiente frio e seco.

Os resultados mostraram uma diferença fundamental entre os dois cenários: a localização da origem dos vales. Em um ambiente aquecido, os vales surgem em diversas altitudes. Já num clima gelado, os vales se formam apenas próximo às áreas onde o gelo derreteu. Analisando uma região de Marte rica em redes de vales, os cientistas observaram que a distribuição dos vales combinava melhor com um cenário de precipitação.

Você pode abrir imagens do Google Earth de lugares como Utah, nos Estados Unidos, e ver as semelhanças com Marte, afirmou a Dra. Amanda Steckel, pesquisadora do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Essa descoberta reforça a teoria de que Marte, durante a chamada era Noachiana — entre 4,1 e 3,7 bilhões de anos atrás —, possuía água líquida em sua superfície. Apesar disso, a origem dessa água sempre foi motivo de debate.

era Noachiana de marteRepresentação artística de Marte durante a era Noachiana.

Muitos estudiosos sugerem que, com o Sol ainda jovem e menos brilhante, Marte era majoritariamente frio, coberto por grandes calotas polares que, ocasionalmente, derretiam em curtos períodos.

No novo estudo, os cientistas modelaram digitalmente terrenos próximos ao equador marciano e aplicaram duas condições distintas: uma com precipitação e outra com derretimento de gelo. As simulações, executadas por milhares de anos simulados, revelaram que as redes de vales produzidas pela precipitação se alinham mais com o que é observado hoje em Marte.

É difícil fazer uma afirmação conclusiva, explicou a Dra. Steckel.

Mas vemos vales começando em uma ampla gama de elevações. É difícil explicar isso apenas com gelo.

água em marte

Imagens de satélite ainda hoje revelam as marcas da ação da água no Planeta Vermelho, especialmente próximas ao equador, onde redes de canais se ramificam e desembocam em antigas bacias que podem ter abrigado lagos ou até oceanos.

Um exemplo notável é a cratera Jezero, atualmente explorada pelo rover Perseverance da NASA, onde há evidências de um antigo delta formado por um poderoso rio durante a Noaquiana.

Seria necessário um volume significativo de água corrente para depositar os tipos de rochas que vemos lá, comentou o Dr. Brian Hynek, da Universidade do Colorado em Boulder.

Apesar dos avanços, ainda resta uma questão sem resposta: como Marte conseguiu manter temperaturas elevadas o suficiente para permitir neve ou chuva, considerando a pouca luminosidade do Sol naquela época?

A pesquisa completa foi publicada no Journal of Geophysical Research: Planets.

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