Caseiro é morto por onça no Pantanal e restos do corpo são encontrados em toca do animal

Caseiro é morto por onça no Pantanal e restos do corpo são encontrados em toca do animal

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Publicado em 22/04/25 às 13:40

O Pantanal sul-mato-grossense amanheceu em luto nesta terça-feira (22) após a confirmação da morte brutal do caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos, atacado por uma onça-pintada nas primeiras horas da segunda-feira. O ataque ocorreu em um pesqueiro particular às margens do Rio Miranda, onde Jorge trabalhava há anos cuidando da propriedade e vendendo produtos locais a turistas.

Segundo relatos de familiares, a suspeita é que a onça tenha se aproximado da residência enquanto Jorge preparava café, por volta das 5h30. Há sinais de que ele tentou fugir pelo deck de madeira que liga a casa ao rio, mas foi surpreendido e cercado pelo animal. O corpo foi arrastado para a mata, atravessando a vegetação e, possivelmente, parte do leito do rio.

Jorginho morto por onça pintadaCaseiro Jorge Ávalo / Imagem: Reprodução

O desaparecimento mobilizou parentes e autoridades locais. O cunhado de Jorge foi quem encontrou os restos mortais na manhã do dia seguinte, cerca de 300 metros da residência. Ao lado dos vestígios, havia vísceras, pegadas e marcas de sangue. Turistas que chegaram cedo ao local em busca de mel registraram a cena, e os vídeos rapidamente circularam pelas redes sociais, gerando comoção.

Durante a tentativa de resgate dos restos mortais, uma cena ainda mais angustiante se desenrolou. A equipe da Polícia Militar Ambiental foi atacada pela mesma onça, que resistia em soltar partes do corpo da vítima. Um voluntário que auxiliava na operação foi ferido no braço. Para conter o animal, os agentes precisaram efetuar disparos de advertência, permitindo que os profissionais concluíssem o recolhimento dos restos mortais.

Apesar da gravidade do ataque, as autoridades ambientais descartaram a possibilidade de capturar ou abater o animal. Segundo o tenente Cícero Fabrini, da PMA, o momento exige foco na assistência à família da vítima. “A prioridade agora é dar condições para o velório e acolhimento dos familiares”, afirmou. Fabrini também revelou que outras quatro onças foram avistadas na mesma região, o que torna qualquer operação de captura extremamente arriscada.

A notícia dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto ambientalistas e parte da população local defenderam que a onça apenas reagiu de acordo com seus instintos naturais, outros pediram providências mais duras. A maioria dos biólogos consultados reforçou que se trata do habitat do animal e que o ataque, embora trágico, é um evento raro e isolado. Para a PMA, a intervenção só será considerada se a onça representar ameaça a outras pessoas nas imediações.

onça pintada

Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, esse é o único caso recente no estado com resultado fatal envolvendo uma onça-pintada. Como ataques dessa natureza não configuram crime previsto em lei, muitas vítimas sequer registram ocorrências, o que torna os dados oficiais escassos.

Os restos mortais de Jorge foram levados ao Núcleo Regional de Medicina Legal de Aquidauana, onde passarão por exames de DNA. O delegado responsável pelo caso, Luiz Domingues, informou que a investigação será tratada como morte não criminal, a menos que novos elementos surjam.

O proprietário do pesqueiro onde Jorge trabalhava ainda não se manifestou publicamente. Amigos próximos descrevem o caseiro como uma pessoa tranquila, habituada à convivência com a fauna pantaneira. Ele deixa dois filhos e uma história marcada por dedicação ao trabalho em meio à natureza.

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