
YouTuber é preso por tentar contatar tribo mais isolada do mundo com uma Coca-Cola e um coco
Por Sandro Felix
Publicado em 17/04/25 às 08:51
Um episódio controverso envolvendo redes sociais, turismo extremo e a preservação de povos indígenas isolados ganhou destaque internacional nesta semana. Mykhailo Viktorovych Polyakov, um jovem youtuber de 24 anos residente nos Estados Unidos, foi detido por autoridades indianas após se aproximar ilegalmente da Ilha Sentinel do Norte, um dos lugares mais protegidos e inacessíveis do planeta.
Segundo informações divulgadas pela Polícia das Ilhas Andamão, Polyakov se aproximou da costa da ilha a bordo de uma embarcação privada. Munido apenas de uma lata de refrigerante diet, um coco e uma câmera GoPro, o influenciador tentou deixar esses objetos na praia como suposto gesto de troca cultural. Em seguida, utilizou um apito na tentativa de atrair a atenção dos habitantes da ilha — um grupo indígena conhecido por rejeitar qualquer tipo de contato externo.
O ato, considerado extremamente imprudente por especialistas, representa uma séria violação das normas estabelecidas pelo governo da Índia, que mantém um raio de segurança de cinco quilômetros ao redor da ilha. Essa restrição tem como principal objetivo proteger os sentineleses, que vivem completamente isolados e não possuem imunidade contra doenças comuns.
Organizações como a Survival International classificaram a ação como “irresponsável e perigosa”, reforçando que qualquer aproximação representa uma ameaça direta à vida dos indígenas. “Estamos falando de uma comunidade que sobreviveu por milhares de anos sem contato com o mundo exterior. Expor essas pessoas a vírus desconhecidos pode ser fatal”, alertou um porta-voz da ONG.
A câmera utilizada por Polyakov foi apreendida pelas autoridades, e o jovem agora enfrenta acusações formais por violar o perímetro de segurança e colocar em risco uma população protegida.
Este caso reacende o debate sobre os limites da exposição digital e o impacto das redes sociais na promoção de comportamentos temerários. O episódio também traz à tona a memória do missionário John Allen Chau, morto pelos sentineleses em 2018 após uma tentativa semelhante de contato, e reforça a posição do governo indiano de proteger essas comunidades de qualquer influência externa.
As autoridades locais não descartam implementar novas medidas legais para coibir iniciativas desse tipo, que além de violar normas internacionais, comprometem a segurança tanto dos visitantes quanto das populações indígenas isoladas.

