Tomografias podem causar 103 mil novos casos de câncer por ano nos EUA, revela estudo inédito

Tomografias podem causar 103 mil novos casos de câncer por ano nos EUA, revela estudo inédito

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Publicado em 16/04/25 às 12:35

Um novo estudo realizado pela Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), publicado nesta semana na revista científica JAMA Internal Medicine, trouxe à tona preocupações sérias sobre os riscos associados ao uso excessivo de tomografias computadorizadas (TCs) nos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, a exposição à radiação ionizante durante esses exames pode ser responsável por até 5% dos diagnósticos de câncer anuais no país.

A pesquisa, financiada pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH), aponta que o uso massivo da tecnologia, embora essencial em muitos diagnósticos, pode estar contribuindo de forma significativa para o surgimento de novos casos de câncer — sobretudo em adultos entre 50 e 69 anos e em crianças pequenas.

A tomografia pode salvar vidas, mas seus danos potenciais são frequentemente ignorados, afirmou a dra. Rebecca Smith-Bindman, radiologista da UCSF e principal autora do estudo.

A menos que mudemos as práticas atuais, muitos cânceres ainda podem ocorrer.

93 milhões de exames em um único ano

Em 2023, cerca de 93 milhões de exames de TC foram realizados nos EUA, o que, segundo os autores, poderia resultar em até 103 mil novos casos de câncer — número três a quatro vezes maior do que o estimado anteriormente.

O estudo se destaca por usar dados individualizados e mais precisos sobre doses de radiação e frequência de exames, oferecendo um panorama mais realista sobre os riscos. A análise foi feita com base em 93 milhões de exames realizados em 61,5 milhões de pacientes.

tomografia computadorizada

Risco maior para mulheres e crianças

Os adultos entre 50 e 59 anos concentraram a maior quantidade de casos projetados de câncer relacionado à TC, com cerca de 10.400 diagnósticos em mulheres e 9.300 em homens. Já nas crianças, embora representem apenas 4% dos exames, o risco é ainda mais preocupante: bebês submetidos à TC apresentaram probabilidade dez vezes maior de desenvolver câncer, principalmente na tireoide, pulmão e mama.

A variação nas doses é inaceitável. Muitos pacientes estão recebendo doses excessivas, alertou Smith-Bindman.

A pesquisa também identificou uma prática preocupante: a realização de tomografias sem indicação clínica sólida, como em casos de dores de cabeça ou infecções respiratórias sem sintomas graves.

Diante desse cenário, os especialistas recomendam que médicos e pacientes considerem alternativas com menor dose de radiação ou até mesmo evitem o exame quando não for estritamente necessário.

Esperamos que nossos achados ajudem a promover conversas mais conscientes sobre os riscos e benefícios de cada exame, explicou a dra. Malini Mahendra, professora assistente de cuidados pediátricos críticos da UCSF e coautora do estudo.

Principais tipos de câncer associados às TCs:

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A nova pesquisa lança um alerta para o uso consciente das tecnologias médicas, reforçando a importância de equilibrar os benefícios dos diagnósticos com a segurança a longo prazo dos pacientes. Médicos e instituições de saúde agora enfrentam o desafio de revisar protocolos e orientar melhor as famílias sobre os riscos envolvidos.

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