
Novo recurso do Android reinicia celular após 3 dias sem uso
Por Sandro Felix
Publicado em 16/04/25 às 16:24
O Google está adotando uma estratégia já conhecida no ecossistema da Apple para reforçar a segurança de seus dispositivos móveis. A empresa começou a liberar uma nova funcionalidade que reinicia automaticamente aparelhos Android que permanecerem bloqueados e inativos por três dias consecutivos.
O recurso, que passou a ser disponibilizado na atualização do Google Play Services versão 25.14 — lançada em 14 de abril — deve levar até uma semana para alcançar todos os usuários. A novidade segue os passos da Apple, que implementou funcionalidade semelhante no iOS 18.1, liberado no final de 2024, com o nome de “inactivity reboot”.
A reinicialização automática após um período de inatividade é considerada por especialistas uma camada extra de segurança. Isso porque, ao ser reiniciado, o dispositivo entra em um estado onde mecanismos como desbloqueio por biometria e localização não funcionam até que o código PIN ou senha seja inserido manualmente. Nesse estado, chamado de “antes do primeiro desbloqueio”, os dados permanecem criptografados e ainda mais difíceis de serem acessados.
A medida deve dificultar a vida de criminosos que roubam ou furtam smartphones, uma vez que a reinicialização cria uma janela de tempo limitada para qualquer tentativa de extração de dados. Caso isso não aconteça antes do reinício automático, o acesso às informações torna-se praticamente inviável.
Enquanto muitos usuários e especialistas comemoram o reforço na privacidade e segurança, autoridades policiais têm demonstrado preocupação. Quando a Apple introduziu o recurso, relatos indicavam que agentes da lei estavam insatisfeitos com o aumento das barreiras técnicas para recuperar dados de aparelhos apreendidos em investigações.
Além da reinicialização automática, a nova versão do Google Play Services também inclui melhorias em serviços de gerenciamento do sistema para maior estabilidade, correções de bugs e uma funcionalidade que facilita a configuração de novos dispositivos, incluindo a transferência de dados do celular antigo.
Com a indústria de smartphones adotando frequentemente a filosofia de “ver e imitar”, é provável que outros fabricantes sigam o exemplo em breve. Neste caso, no entanto, a imitação parece beneficiar os usuários — e dificultar a vida dos que agem fora da lei.

