
Sob impacto das tarifas, Musk se afasta de Trump e entra na lista de perdas com Bezos e Zuckerberg
Por Sandro Felix
Publicado em 08/04/25 às 10:20
O que parecia ser uma posição intocável para Elon Musk e outros líderes do setor tecnológico transformou-se em uma tempestade financeira sem precedentes. Em poucos dias, o mercado global viu desaparecer mais de 536 bilhões de dólares em valor de mercado, abalando a confiança de investidores e revelando a fragilidade até mesmo das maiores fortunas do planeta. Entre os mais afetados, Musk lidera a lista, com uma perda pessoal estimada em 31 bilhões de dólares.
A crise tem como epicentro uma combinação de fatores explosiva: a queda expressiva nas bolsas de valores e o endurecimento das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A Tesla, principal empresa de Musk, sofreu uma desvalorização de 44% em suas ações, o que representa uma redução de cerca de 600 bilhões de dólares em seu valor de mercado.
Esse cenário também obrigou Musk a se afastar, ainda que temporariamente, de suas atividades no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), um programa promovido pelo governo Trump com o objetivo de reformular órgãos públicos. O impacto dessa turbulência não se limita às finanças, atingindo também a esfera política e estratégica das atuações de Musk.
As novas tarifas impostas pelo governo norte-americano têm encarecido insumos essenciais para a indústria tecnológica, como microchips e motores elétricos. O reflexo é global: a Nintendo, por exemplo, suspendeu as reservas do console Switch 2 nos Estados Unidos, temendo os efeitos da alta de custos.
Diante da instabilidade, Musk revisou seu posicionamento. Durante uma visita à Itália, o empresário defendeu a criação de uma ampla zona de livre comércio entre Europa e América do Norte, com “tarifa zero”, numa guinada significativa em relação à sua postura anterior, mais próxima das políticas protecionistas da era Trump. Para ele, o livre comércio passou de princípio ideológico a necessidade estratégica.
Economistas, no entanto, alertam que esse modelo sem tarifas também implica riscos relevantes, como a perda de arrecadação fiscal, o enfraquecimento de normas trabalhistas e de segurança, e o aumento da competição com países que operam sob regulamentações mais brandas. A proposta de Musk, embora ambiciosa, enfrenta uma realidade complexa e cheia de nuances.
Outros gigantes do setor também sentiram o impacto: Jeff Bezos e Mark Zuckerberg acumulam perdas significativas em seus patrimônios, reforçando que o cenário de incerteza atinge até os nomes mais consolidados da tecnologia.
A crise atual levanta questões sobre o futuro das grandes corporações e sobre a viabilidade de seus modelos de negócio em um ambiente cada vez mais volátil. E no centro dessa tempestade, Elon Musk se vê desafiado não apenas a conter as perdas, mas a redefinir o rumo de seu império tecnológico diante de um mundo que exige novas estratégias e maior capacidade de adaptação.

