Proibição do TikTok nos EUA é adiada por mais 75 dias após crise comercial com a China

Proibição do TikTok nos EUA é adiada por mais 75 dias após crise comercial com a China

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Publicado em 06/04/25 às 07:20

O aplicativo TikTok, de propriedade chinesa, escapou temporariamente de uma proibição nos Estados Unidos após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva no dia 5 de abril prorrogando o prazo para a venda de suas operações americanas a investidores locais. A decisão ocorreu em meio a negociações intensas e à recente escalada de tensões comerciais entre Washington e Pequim.

A rede social, que conta com mais de 170 milhões de usuários nos EUA, estava prestes a ser banida por questões de segurança nacional. O Congresso americano aprovou no ano passado uma lei para remover o aplicativo do país, sob o temor de que dados pessoais dos usuários pudessem ser acessados pelo governo chinês ou usados para disseminar propaganda.

A proibição seria efetivada em 5 de abril, mas foi adiada por mais alguns meses após Trump declarar que as conversas para venda estavam fazendo “tremendos progressos”. No entanto, o avanço nas negociações sofreu um revés após o governo chinês recuar, pressionado por novas tarifas comerciais impostas pelos EUA.

Fontes da AP e da Reuters relataram que a ByteDance, controladora do TikTok, estava perto de fechar um acordo com vários investidores americanos, no qual manteria uma participação minoritária de 20%. Embora os nomes dos compradores ainda não tenham sido oficialmente divulgados, especulações anteriores citam empresas como a gigante de tecnologia Oracle, a Amazon, a firma de private equity Blackstone, a AppLovin, e até mesmo Tim Stokely, fundador do OnlyFans.

O clima de incerteza se intensificou após Trump anunciar, em 2 de abril, um novo pacote tarifário abrangente. Considerado por especialistas como uma “bomba nuclear” no comércio internacional, as novas tarifas aumentaram para 54% o total de tributos contra produtos chineses. Pequim, em resposta, indicou à ByteDance que não autorizaria a venda do TikTok enquanto os termos dessas tarifas não fossem renegociados.

Nos bastidores, essa manobra geopolítica ampliou temores sobre os impactos globais. Grupos comerciais alertam para um possível colapso do modelo de comércio internacional vigente há décadas. Itens comuns no cotidiano dos americanos, como eletrônicos e computadores, podem sofrer elevações significativas de preço.

A tensão também se refletiu nos mercados financeiros, que enfrentaram uma das piores quedas desde a pandemia. Empresas de tecnologia como AMD, Dell e HP registraram perdas próximas a 10% em seus valores de mercado. Embora os semicondutores ainda não tenham sido diretamente afetados, especialistas temem que eles sejam os próximos alvos das tarifas.

Apesar das incertezas, a extensão do prazo para a venda do TikTok dá um novo fôlego às negociações, que poderão redefinir os rumos do setor tecnológico e das relações comerciais entre as duas maiores economias do planeta.

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