Bateria nuclear do tamanho de uma moeda com 50 anos de autonomia entra em produção em massa

Bateria nuclear do tamanho de uma moeda com 50 anos de autonomia entra em produção em massa

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Publicado em 03/04/25 às 07:21

A corrida global por fontes de energia compactas e duradouras ganhou um novo capítulo com o anúncio da empresa chinesa Beijing Betavolt New Energy Technology, que iniciou a produção em massa da BV100, uma bateria nuclear do tamanho de uma moeda com capacidade para funcionar por até 50 anos sem recarga ou manutenção. A inovação já está sendo considerada um marco na evolução das baterias nucleares em escala comercial.

Desenvolvida com níquel-63 radioativo, a célula da BV100 converte o processo natural de decaimento nuclear em eletricidade por meio de semicondutores de diamante de quarta geração — uma tecnologia totalmente desenvolvida na China. A estrutura modular da bateria permite que várias unidades sejam combinadas em série ou paralelo, possibilitando diferentes tamanhos e capacidades energéticas.

Com um tamanho semelhante ao de uma moeda, a BV100 entrega 100 microwatts de potência a 3 volts, valor ainda modesto para dispositivos de alto consumo como smartphones ou notebooks. No entanto, a Betavolt já anunciou o lançamento de uma versão de 1 watt ainda este ano, voltada para aplicações em eletrônicos de consumo e drones com operação contínua.

baterias Betavolt bv100

Além da longevidade e do tamanho reduzido, a BV100 impressiona pela resistência a condições extremas — funcionando de forma estável entre -60°C e +120°C, sem risco de explosão ou autodescarga. Outro diferencial está na sua segurança ambiental: o níquel-63 se transforma em cobre estável, eliminando a necessidade de reciclagem complexa ou o risco de resíduos tóxicos.

O feito rendeu à empresa o terceiro lugar no Concurso de Inovação da China National Nuclear Corporation em 2023. A Betavolt já registrou patentes na China e está em processo de registro internacional sob o Protocolo de Cooperação em Patentes (PCT), visando a comercialização global.

baterias Betavolt

A tecnologia betavoltaica adotada pela Betavolt difere radicalmente dos geradores termoelétricos nucleares usados durante a Guerra Fria, que eram grandes, caros e perigosos. Ao usar partículas beta no processo de geração, a nova abordagem garante segurança, compacidade e escalabilidade para uma vasta gama de aplicações.

O impacto potencial dessa inovação é gigantesco. Segundo a empresa, a bateria poderá ser utilizada em equipamentos médicos, inteligência artificial, drones, micro-robôs, sensores de difícil acesso e sistemas aeroespaciais. Para Zhang Wei, presidente e CEO da Betavolt, a empresa se destaca por ser atualmente a única no mundo a produzir semicondutores de diamante em larga escala, também aplicáveis em supercapacitores e nanotubos de carbono de ultra-longa duração.

A conquista da Betavolt acendeu uma nova chama de interesse no setor. Universidades e empresas ao redor do mundo já trabalham em projetos semelhantes. Na China, a Universidade Normal do Noroeste pesquisa baterias nucleares com carbono-14. Nos Estados Unidos, empresas como City Labs, apoiada pelo NIH, desenvolvem baterias betavoltaicas com trítio para marcapassos e corações artificiais. Já no Reino Unido, empresas como Arkenlight também avançam nesse campo.

Betavolt bv100

Com a chegada da BV100, não estamos apenas testemunhando uma inovação tecnológica — estamos diante de uma nova era energética, onde o impossível começa a se tornar realidade. Se a promessa da Betavolt se cumprir, o mundo poderá, em breve, contar com fontes de energia limpas, ininterruptas e praticamente eternas, transformando desde o modo como nos comunicamos até a forma como exploramos o espaço. Mais do que uma revolução, trata-se de um renascimento da energia, em um formato tão pequeno quanto uma moeda, mas com potencial de mover o futuro inteiro.

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