
China lidera revolução energética e já controla 80% da produção global de baterias
Por Sandro Felix
Publicado em 26/03/25 às 16:10
Em apenas uma década, a China transformou sua aposta nas baterias de lítio em um sucesso industrial avassalador. Se em 2015 o país já detinha 50% do mercado global, em 2025 essa participação disparou para impressionantes 80%, consolidando uma hegemonia difícil de ser desafiada no curto prazo.
O gigante asiático não apenas lidera a fabricação de acumuladores para veículos elétricos — com empresas como CATL e BYD puxando a fila — como também domina a produção de baterias para dispositivos eletrônicos. Esse avanço não aconteceu por acaso: é resultado direto da estratégia governamental “Made in China 2025”, lançada há exatos dez anos com o objetivo de alcançar o protagonismo em treze setores tecnológicos estratégicos.
Hoje, os frutos dessa política são visíveis. Além do setor de baterias de lítio, a China já se firmou como líder mundial em áreas como trens de alta velocidade, painéis solares, grafeno e drones. Em campos como inteligência artificial e máquinas industriais, embora ainda não tenha atingido o topo, o país já ocupa uma posição de destaque altamente competitiva.
Um dos maiores trunfos dessa supremacia é o controle quase absoluto da cadeia de valor das baterias. Desde a extração de lítio e terras raras até o processamento e a fabricação dos produtos finais, as empresas chinesas operam de forma integrada. Essa verticalização produtiva permite fabricar em grande escala com preços muito competitivos, o que tem pressionado outras regiões como Europa, América do Norte e países do Pacífico Asiático, que hoje mal chegam a representar entre 6% e 7% do mercado.
O salto na capacidade de produção também impressiona. Em 2015, o volume global instalado era de 42 GWh. Em 2024, esse número explodiu para 1.400 GWh, uma evolução colossal que só foi possível graças à rápida expansão da indústria chinesa.
Esse crescimento reflete não apenas o aumento da demanda por energia, mas também a capacidade da China de escalar rapidamente sua produção para atender a essa demanda. Enquanto países como a Coreia do Sul investem para manter suas indústrias estratégicas, eles ainda não conseguem rivalizar com a potência chinesa. A conclusão é clara: salvo uma virada radical nas políticas industriais ocidentais ou uma inovação disruptiva inesperada, o domínio chinês sobre o setor de baterias de lítio deve permanecer firme nos próximos anos.

