Homem vive 100 dias com coração artificial de titânio e faz história na medicina mundial

Publicado em 13/03/25 às 16:01

Um australiano tornou-se a primeira pessoa no mundo a deixar um hospital com um implante de coração artificial total, representando um marco significativo no tratamento da insuficiência cardíaca. Ele viveu com o dispositivo por mais de 100 dias antes de receber um transplante de coração no início de março – a mais longa sobrevivência já registrada com essa tecnologia.

O paciente, um homem na faixa dos 40 anos de Nova Gales do Sul, recebeu o BiVACOR Total Artificial Heart (TAH) durante um procedimento de seis horas no Hospital St. Vincent, em Sydney, em 22 de novembro de 2024. A operação foi liderada pelo cirurgião cardiotorácico e de transplantes Paul Jansz, como parte do Artificial Heart Frontiers Program, liderado pela Universidade Monash, que busca desenvolver três dispositivos essenciais para tratar formas comuns de insuficiência cardíaca.

Criado pelo bioengenheiro australiano Dr. Daniel Timms, o BiVACOR TAH utiliza tecnologia de levitação magnética para imitar o fluxo sanguíneo natural de um coração saudável. Semelhante à tecnologia usada em trens de alta velocidade, o dispositivo possui apenas uma peça móvel – um rotor suspenso por ímãs – eliminando a necessidade de válvulas ou rolamentos mecânicos, que podem se desgastar com o tempo.

Uma revolução no tratamento da insuficiência cardíaca

O BiVACOR TAH é fabricado em titânio, um material altamente biocompatível, resistente à corrosão e extremamente durável. Ele substitui os dois ventrículos de um coração falho, funcionando como uma ponte vital para pacientes que aguardam um transplante de doador. Diferente de dispositivos de assistência ventricular, que auxiliam o coração natural, o BiVACOR é um coração artificial total, bombeando sangue para os pulmões e para o restante do corpo com um impulsor centrífugo de dupla face.

A insuficiência cardíaca afeta mais de 23 milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano, mas apenas cerca de 6.000 pacientes recebem um transplante de coração. Para acelerar o desenvolvimento e a comercialização do BiVACOR, o governo australiano investiu US$ 50 milhões no programa. Embora ainda esteja em fase de testes clínicos e aguardando aprovação regulatória, a capacidade do dispositivo de sustentar pacientes por longos períodos sugere que ele pode se tornar uma solução viável para muitos pacientes que enfrentam insuficiência cardíaca.

Testes promissores e perspectivas futuras

O BiVACOR TAH já passou por testes nos Estados Unidos como parte do Estudo de Viabilidade Inicial da FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA). Até agora, cinco pacientes receberam o implante com sucesso, usando o dispositivo enquanto aguardavam um coração de doador. O maior período de suporte registrado foi de um mês, mas os resultados promissores levaram a FDA a aprovar a ampliação do estudo para incluir mais pacientes.

Se os testes continuarem apresentando resultados positivos, o BiVACOR poderá se tornar o primeiro coração artificial total aprovado para uso a longo prazo, oferecendo esperança para milhares de pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca grave. Com avanços na tecnologia de levitação magnética e na durabilidade dos materiais biomédicos, especialistas acreditam que, no futuro, dispositivos como esse possam até substituir a necessidade de transplantes convencionais, proporcionando uma alternativa definitiva para pacientes com falência cardíaca terminal.