
Fim da guerra | Israel e Hamas assinam cessar-fogo histórico após 467 dias de conflito
Por Sandro Felix
Publicado em 15/01/25 às 17:01
Após 467 dias de intensos confrontos na Faixa de Gaza, um acordo de cessar-fogo foi firmado entre Israel e o grupo Hamas nesta quarta-feira (15). O tratado, mediado pelo Catar, Egito e Estados Unidos, prevê o fim das hostilidades a partir de domingo (19) e inclui uma série de medidas para tentar encerrar definitivamente o conflito, que deixou quase 48 mil mortos e provocou uma crise humanitária sem precedentes na região.
O anúncio foi feito em Doha pelo primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman, que destacou o papel dos mediadores internacionais nas negociações. “Este é um momento histórico. Agora, é essencial que todas as partes envolvidas respeitem o que foi acordado e trabalhem para aliviar o sofrimento da população civil”, afirmou Abdulrahman.

Principais pontos do acordo
O cessar-fogo contempla uma série de etapas que visam à libertação de reféns, a retirada de tropas israelenses e o aumento da ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Veja os principais aspectos:
- Libertação de reféns: O Hamas concordou em liberar todos os cerca de cem reféns que permanecem sob seu controle. Na primeira fase, 33 pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos, serão libertadas.
- Retirada gradual de tropas: Israel começará a retirada das forças militares em etapas, permanecendo apenas nas fronteiras para garantir a segurança das cidades israelenses próximas.
- Ajuda humanitária: O acordo prevê um aumento significativo na entrada de ajuda humanitária em Gaza, que enfrenta uma grave crise de alimentos, água e medicamentos.
Reações internacionais
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, celebrou o acordo em um comunicado oficial. “Mesmo enquanto celebramos esta notícia, lembramos todas as famílias que perderam entes queridos. Já passou da hora de os combates terminarem e de o trabalho de construir a paz começar”, declarou.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também elogiou o tratado e reforçou a necessidade de aliviar o sofrimento da população civil de Gaza.
No entanto, a situação ainda é tensa. Em Gaza, centenas de pessoas saíram às ruas para celebrar o acordo, enquanto em Tel Aviv, grupos de manifestantes fizeram protestos silenciosos pedindo a libertação imediata de todos os reféns.
Desafios e controvérsias
Mesmo com o acordo firmado, ainda existem obstáculos que podem dificultar a implementação completa do cessar-fogo. Um dos principais pontos de discórdia é o controle do corredor de Filadélfia, uma faixa de território ao longo da fronteira de Gaza com o Egito.
O Hamas exige a retirada total de Israel dessa região, permitindo que os moradores de Gaza tenham livre acesso à fronteira. Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, argumenta que o controle do corredor é essencial para evitar o contrabando de armas.
Não permitiremos que Gaza se torne novamente um depósito de armas para terroristas, declarou Netanyahu em uma entrevista coletiva.
Contexto do conflito
A guerra na Faixa de Gaza teve início em outubro de 2023, quando militantes do Hamas realizaram um ataque surpresa ao sul de Israel, matando mais de 1.200 pessoas e sequestrando cerca de 200. O ataque foi considerado o mais mortal já sofrido por Israel desde a sua fundação em 1948.
Em resposta, o governo israelense declarou guerra ao Hamas e lançou uma série de operações militares na Faixa de Gaza. Ao longo de mais de um ano, bombardeios intensos e incursões terrestres deixaram bairros inteiros em ruínas, agravando a crise humanitária na região, que abriga 2,3 milhões de pessoas.
De acordo com dados da ONU, mais de 46 mil palestinos morreram desde o início da guerra, a maioria mulheres e crianças.

Próximos passos
O acordo de cessar-fogo inclui medidas para o futuro de Gaza, mas ainda há muitas incertezas sobre quem administrará o território após o conflito.
Israel rejeita que o Hamas continue no poder e também não aceita que a administração seja entregue à Autoridade Palestina, entidade apoiada pelo Ocidente.
Negociações paralelas entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos discutem a criação de uma administração provisória para governar Gaza até que uma solução definitiva seja alcançada.
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmou que a ONU e aliados internacionais deverão desempenhar um papel importante nesse processo de transição.

Pressão internacional e mandados de prisão
A guerra também gerou repercussões jurídicas. O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra líderes israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) abriu uma investigação para apurar se as ações de Israel em Gaza podem ser classificadas como genocídio.
Israel nega as acusações e afirma que suas operações militares foram legítimas, realizadas em defesa de sua população.
