Primeiro satélite de madeira do mundo é lançado pelo Japão em busca de voos espaciais sustentáveis

Primeiro satélite de madeira do mundo é lançado pelo Japão em busca de voos espaciais sustentáveis

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Publicado em 08/11/24 às 15:56

Um pequeno satélite feito majoritariamente de madeira chegou à Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo de uma cápsula Dragon da SpaceX. Batizado de LignoSat, o satélite, de apenas 10 cm cúbicos, chegou ao laboratório orbital no dia 5 de novembro, após ter sido lançado da base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, poucos dias antes.

Diferente dos materiais tradicionais de satélites, como o alumínio, o LignoSat utiliza madeira proveniente de magnólias japonesas como material principal de sua estrutura. O projeto é uma colaboração entre pesquisadores da Universidade de Kyoto e a empresa madeireira Sumitomo Forestry, com o objetivo de desenvolver satélites mais sustentáveis que não poluam a atmosfera quando retornam à Terra.

Primeiro satélite de madeiraSatélite LignoSat / Imagem: Reprodução

Por Que usar madeira em satélites?

A mudança de metal para madeira visa criar satélites ecologicamente corretos. De acordo com os pesquisadores, um satélite de madeira pode reduzir o impacto ambiental em comparação aos satélites convencionais. “Enquanto alguns podem pensar que madeira no espaço é algo contraintuitivo, esperamos que esta investigação demonstre que um satélite de madeira pode ser mais sustentável e menos poluente para o ambiente,” afirmou Meghan Everett, vice-chefe científica do programa da ISS da NASA, em uma coletiva de imprensa na segunda-feira.

Satélites convencionais feitos de alumínio liberam partículas de óxido de alumínio na alta atmosfera ao queimarem na reentrada, o que pode afetar o equilíbrio térmico do planeta e até prejudicar a camada de ozônio, responsável por nos proteger da radiação ultravioleta. Com o aumento das megaconstelações de satélites, como a rede Starlink da SpaceX, que já conta com mais de 6.500 satélites ativos, o acúmulo de óxido de alumínio pode se tornar uma preocupação ambiental crescente.

Desafios e objetivos do LignoSat no espaço

A missão do LignoSat é testar o desempenho da madeira no ambiente espacial. Daqui a cerca de um mês, o satélite será ejetado da ISS para entrar em órbita própria. Equipado com eletrônicos avançados e sensores, o LignoSat permitirá que os pesquisadores monitorem como a madeira reage às mudanças de temperatura de até 200°C a cada 45 minutos, quando o satélite alterna entre luz solar e escuridão. Além disso, eles avaliarão a capacidade da madeira em proteger seus componentes internos contra radiação cósmica, comparando-a com o alumínio.

Futuro dos satélites de madeira e possíveis aplicações

Se o LignoSat obtiver bons resultados, seus criadores acreditam que o uso da madeira em naves espaciais pode ter aplicações além dos satélites de órbita baixa. Sondas interplanetárias ou até habitats construídos com madeira podem ser viáveis em um futuro não tão distante, caso o material demonstre robustez no espaço. A equipe responsável pelo projeto tem uma visão ambiciosa para os próximos 50 anos: plantar árvores na Lua e em Marte.

Com madeira, um material que podemos produzir, seremos capazes de construir casas, viver e trabalhar no espaço para sempre, afirmou Takao Doi, astronauta e pesquisador das atividades humanas no espaço na Universidade de Kyoto, em entrevista à Reuters.

Orbita da Terra cheia de satélites

Embora a ausência de umidade e oxigênio no vácuo do espaço torne a madeira mais durável do que na Terra, ainda são necessários testes para confirmar sua viabilidade em condições extremas antes que esse tipo de satélite possa ser amplamente adotado.

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