
Arm rompe parceria com a Qualcomm e coloca em risco a linha de chips Snapdragon
Por Sandro Felix
Publicado em 23/10/24 às 16:14
A longa disputa entre a projetista britânica de chips Arm e a gigante americana de semicondutores Qualcomm acaba de atingir seu ponto mais crítico. A Arm notificou a Qualcomm sobre a rescisão do contrato que permitia à empresa americana desenvolver seus próprios chips com base na propriedade intelectual da Arm.
Esse acordo de “licença arquitetural” tem sido o pilar fundamental da parceria que, há anos, mantém os smartphones Android funcionando com os processadores avançados da Qualcomm. No entanto, de acordo com documentos obtidos pela Bloomberg, a Arm enviou um aviso de rescisão com prazo de 60 dias, o que pode pôr fim a esse acordo de longa data.
Para quem não está familiarizado com a disputa, a tensão entre essas duas gigantes da tecnologia, que já foram parceiras próximas, começou após a aquisição da startup de design de chips Nuvia pela Qualcomm em 2021, em um negócio de 1,4 bilhão de dólares.
A Arm alega que, com essa compra, a Qualcomm violou os termos do contrato de licenciamento, já que a Nuvia tinha um acordo separado com a Arm. Segundo a Arm, a Qualcomm deveria ter renegociado esses termos, ao invés de simplesmente incorporar as licenças da Nuvia. Isso levou a Arm a processar a Qualcomm em 2022 por violação de contrato e infração de marca registrada.
Por outro lado, a Qualcomm argumenta que o acordo existente já cobria a aquisição da Nuvia. Com base nisso, a empresa entrou com uma ação judicial contra a Arm, criando um embate judicial explosivo que ainda está em andamento. Ambas as empresas têm negociado discretamente uma possível solução, mas a recente decisão da Arm de encerrar o contrato pode ser um sinal de que essas conversas fracassaram — ou que a empresa optou por uma medida mais drástica.
Em resposta ao aviso de rescisão, a Qualcomm acusou a Arm de tentar “forçar a mão de uma parceira de longa data” e de interromper o processo judicial com essa ameaça, qualificando a ação como “completamente infundada.”
Após a aquisição, a tecnologia da Nuvia continuou a ser utilizada nos núcleos personalizados Oryon, que agora impulsionam os mais recentes processadores Snapdragon X Elite da Qualcomm, voltados para laptops Windows em dispositivos com Arm e PCs com Copilot+. Esta semana, a Qualcomm também anunciou novos chips móveis e automotivos baseados na tecnologia Oryon.
Se a Arm seguir adiante com a rescisão da licença após o período de 60 dias, isso poderá desestabilizar o lucrativo negócio de chips móveis e para PCs da Qualcomm, avaliado em bilhões de dólares. A empresa poderia ser forçada a interromper a venda de certos produtos, que geram quase a totalidade dos seus 39 bilhões de dólares em receita anual.

