
Imagens do Hubble mostram a Grande Mancha Vermelha de Júpiter balançando como gelatina
Por Sandro Felix
Publicado em 15/10/24 às 16:23
Astrônomos que estudam Júpiter há mais de um século acabam de fazer uma nova e surpreendente descoberta sobre sua famosa “Grande Mancha Vermelha”. Graças ao Telescópio Espacial Hubble da NASA, foi possível observar um comportamento até então desconhecido na maior tempestade do sistema solar.
A NASA utilizou o Hubble para captar imagens detalhadas da Grande Mancha Vermelha durante um período de 90 dias, entre dezembro de 2023 e março de 2024. Nesse período, Júpiter esteve a uma distância de 630 a 824 milhões de quilômetros da Terra. Essas imagens foram combinadas em uma sequência de time-lapse que revelou algo extraordinário: a tempestade não apenas muda ligeiramente de posição, como também apresenta uma oscilação em seu tamanho, um comportamento descrito pelos cientistas como um “balanço de gelatina”.
Amy Simon, cientista do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, explicou que já era conhecido que a posição longitudinal da tempestade variava um pouco. No entanto, a descoberta de que a tempestade também oscila de tamanho de maneira visível é algo completamente novo. “É como se a mancha estivesse balançando como uma tigela de gelatina”, afirmou Simon. Essa movimentação nunca havia sido observada em décadas de estudo.
A NASA ainda não sabe o que está causando esse comportamento peculiar, mas espera que imagens futuras e mais detalhadas possam oferecer pistas. Por enquanto, essa nova descoberta levanta mais perguntas do que respostas sobre a dinâmica atmosférica de Júpiter.
O Futuro da Grande Mancha Vermelha
Nos últimos anos, cientistas notaram que a Grande Mancha Vermelha está encolhendo lentamente. Com base em observações contínuas, os pesquisadores acreditam que esse encolhimento continuará, o que pode estabilizar a tempestade, tornando-a mais circular e menos alongada. Eventualmente, as faixas de vento ao redor da tempestade podem começar a contê-la de forma mais eficaz, mantendo a mancha relativamente fixa.
Lançado em 1990, o Telescópio Espacial Hubble tem desempenhado um papel crucial no monitoramento de Júpiter e outros planetas, como parte do programa Outer Planet Atmospheres Legacy (OPAL). Esse programa foi criado com o objetivo de acompanhar as mudanças atmosféricas nos planetas gigantes, oferecendo uma visão detalhada de suas dinâmicas. Ao entender mais profundamente o funcionamento dessas atmosferas, os cientistas podem aprimorar os modelos climáticos terrestres e desenvolver sistemas mais precisos para a previsão de fenômenos meteorológicos extremos, como os furacões em nosso planeta.

