
NASA fotografa asteroide gigante e sua mini-lua em passagem próxima da Terra
Por Sandro Felix
Publicado em 08/07/24 às 15:39
No final do mês passado, a NASA fez uma descoberta impressionante ao capturar imagens detalhadas de um asteroide maciço que passou próximo da Terra, revelando também uma mini-lua que o acompanhava. As imagens, registradas pelo radiotelescópio Goldstone, mostram o asteroide “2011 UL21” com grande clareza durante uma das aproximações mais próximas de asteroides deste ano, ocorrida em 27 de junho.
Descoberto inicialmente em 2011 pelo Catalina Sky Survey, financiado pela NASA em Tucson, o imenso corpo celeste é estimado em cerca de 1,6 km de diâmetro. Desta vez, o asteroide passou suficientemente perto para ser capturado pelo radar. A verdadeira surpresa, porém, foi a pequena lua orbitando o asteroide a uma distância de aproximadamente 3 km.
Segundo os cientistas da NASA, é bastante comum que grandes asteroides como este sejam sistemas binários com uma ou mais pequenas luas em sua órbita. No entanto, avistá-las é uma tarefa difícil.
Acredita-se que cerca de dois terços dos asteroides desse tamanho sejam sistemas binários, e sua descoberta é particularmente importante porque podemos usar medições de suas posições relativas para estimar suas órbitas mútuas, massas e densidades, fornecendo informações essenciais sobre como podem ter se formado, disse Lance Benner, cientista principal do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato).
O radar do Goldstone Solar System, com sua gigantesca antena de 70 metros, a maior antena de radar totalmente direcionável do mundo, tem escaneado o céu por três décadas a partir do Deserto de Mojave, na Califórnia. Este poderoso instrumento apoiou inúmeras missões, como os rovers de Marte, a missão Cassini de Saturno, os exploradores de asteroides Hayabusa e até mesmo recuperou a sonda solar SOHO.
Os cientistas do JPL usaram a mesma antena para transmitir ondas de rádio para o asteroide e receber os sinais refletidos. As imagens de radar de alta resolução também nos deram uma visão mais detalhada da forma quase perfeitamente esférica de UL21 e de suas características superficiais, como crateras. Embora granuladas, as imagens são impressionantes para um objeto que passou a 6,6 milhões de km, ou 17 vezes a distância da Terra à Lua.
Como se uma oportunidade fotográfica cósmica não fosse suficiente, a equipe de Goldstone também capturou outro asteroide, o 2024 MK, apenas dois dias depois, em 29 de junho. Este menor, com 152 metros de diâmetro, passou muito mais perto, a 296 mil km, dentro de 75% da distância entre a Terra e a Lua.
As imagens fornecem uma visão detalhada da superfície desgastada do 2024 MK, incluindo crateras, cordilheiras e rochas com até 9 metros de diâmetro. Embora não seja tão massivo quanto o 2011 UL21, ainda assim foi uma aproximação relativamente próxima.
A NASA afirma que esses encontros próximos ajudam no estudo de asteroides potencialmente perigosos e na preparação para a defesa planetária. Quanto mais dados tivermos sobre suas órbitas, rotações e composição física, melhor poderemos prever e nos preparar para ameaças futuras.
Não havia risco de nenhum desses objetos próximos à Terra impactar nosso planeta, mas as observações de radar feitas durante essas duas aproximações fornecerão prática valiosa para a defesa planetária, observou a equipe.



