
Cientistas testemunham evento raro de fusão de organismos que ocorre uma vez a caba bilhão de ano
Por Sandro Felix
Publicado em 18/04/24 às 07:07
Cientistas fizeram uma descoberta incrível que se compara aos grandes marcos da evolução na Terra. Eles encontraram um evento raro: a fusão de dois tipos diferentes de organismos para formar um só, com habilidades especiais. Isso é chamado de endossimbiose primária. Acontece quando um micróbio engole outro, e os dois passam a viver juntos. Eles trocam comida, energia e proteção, e o organismo que foi engolido acaba se tornando parte do outro.
Isso é parecido com o que aconteceu há muito tempo atrás quando as mitocôndrias, que são como a usina de energia das células, surgiram de uma bactéria engolida por uma célula maior. Depois, quando as plantas conseguiram fazer fotossíntese porque engoliram uma bactéria que sabia capturar energia do sol.
Agora, os cientistas descobriram que isso está acontecendo de novo. Uma alga chamada Braarudosphaera bigelowii engoliu uma bactéria que lhe permite fazer algo que as algas e as plantas geralmente não conseguem fazer: capturar nitrogênio do ar e usá-lo para crescer.
No começo, os cientistas pensaram que a alga estava apenas vivendo junto com a bactéria, como acontece quando as plantas se juntam a bactérias que as ajudam a conseguir nutrientes. Mas, quando olharam mais de perto, descobriram que a alga e a bactéria estão mais ligadas do que se pensava. Elas crescem juntas, como se fossem uma coisa só.
Imagens feitas com raios-X mostraram que a alga e a bactéria se reproduzem juntas e se dividem ao mesmo tempo. E, quando os cientistas analisaram as proteínas da bactéria, viram que ela não consegue produzir tudo que precisa para viver sozinha. Ela depende da alga para completar o que está faltando.
Isso tudo indica que a bactéria está se tornando uma parte essencial da alga, como se fosse um órgão. Mesmo que isso tenha começado há “apenas” 100 milhões de anos atrás, é um passo importante na evolução.
Essas imagens, geradas por tomografia de raios X, mostram as algas em diferentes estágios de divisão celular. UCYN-A, a entidade fixadora de nitrogênio agora considerada uma organela, é destacada na cor ciano; o núcleo da alga é representado em azul, as mitocôndrias são verdes e os cloroplastos são lilás. Crédito: Valentina Loconte/Berkeley Lab
Essa descoberta pode ajudar os cientistas a entender melhor como as plantas e outras algas conseguem crescer tão bem. Eles esperam que isso também ajude a melhorar o crescimento das plantas que usamos para comida.
Os resultados dessas descobertas foram publicados nas revistas científicas Cell e Science.

