
Morre aos 94 anos o renomado físico teórico Peter Higgs, descobridor do ‘Bóson de Higgs’
Por Sandro Felix
Publicado em 10/04/24 às 07:58
O Professor Peter Higgs, renomado físico teórico que primeiro propôs a ideia do que agora conhecemos como o “Bóson de Higgs”, faleceu aos 94 anos no dia 8 de abril. Higgs ganhou o Prêmio Nobel em 2013 por seu trabalho, que demonstrou que a partícula é responsável por conferir massa a todas as outras partículas.
É confirmado o falecimento do Professor Peter Higgs aos 94 anos. Ele nos deixou pacificamente em sua casa na segunda-feira, 8 de abril, após uma breve doença, afirmou um comunicado da Universidade de Edimburgo nesta quarta-feira.

Nascido em Newcastle upon Tyne, no Reino Unido, em 1929, Higgs passou décadas contribuindo para o entendimento da estrutura fundamental do universo. Sua teoria revolucionária, proposta em 1964, postulou a existência de uma partícula que explicaria como outras partículas adquirem massa. Esse conceito essencialmente mudou a forma como os cientistas compreendem a física de partículas elementares.
A confirmação experimental do bóson de Higgs veio em 2012, após décadas de pesquisa e o funcionamento do Grande Colisor de Hádrons, no CERN. Essa descoberta rendeu a Higgs o Prêmio Nobel de Física em 2013, que compartilhou com o físico teórico belga François Englert.
No entanto, a jornada científica de Higgs não foi sem desafios. Sua teoria inicialmente enfrentou resistência e foi difícil de ser publicada devido à complexidade e falta de compreensão na época.
Além de suas contribuições científicas, a vida pessoal de Higgs também desperta interesse. Filho de um engenheiro de som da BBC, ele enfrentou a asma na infância, o que influenciou sua educação inicial em casa.
Após completar seu doutorado no King’s College, em Londres, Higgs passou a maior parte de sua carreira acadêmica na Universidade de Edimburgo, onde desenvolveu a maior parte de seu trabalho inovador. Conhecido por sua modéstia e vida de baixa tecnologia, Higgs evitava a fama e preferia focar em sua pesquisa.
Embora seja amplamente reconhecido por sua contribuição para a ciência, Higgs não era fã do apelido “partícula de Deus”, preferindo uma abordagem mais objetiva para descrever suas descobertas.
Abaixo você confere um resumo sobre a vida do cientista:
- A descoberta do bóson de Higgs levou décadas para ser realizada. Higgs previu inicialmente a existência do bóson em 1964. Mas levou quase 50 anos para que fosse confirmado. Cientistas utilizaram o Grande Colisor de Hádrons no CERN para confirmar sua teoria em 2012. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Física em 2013 em conjunto com o físico teórico belga François Englert.
- Sua teoria não foi aceita imediatamente. Ele teve dificuldades em publicar sua teoria em revistas científicas em 1964, em parte porque ninguém a entendia, segundo a BBC.
- Seu pai trabalhava na BBC. Ele nasceu em Newcastle upon Tyne, no Reino Unido, de mãe escocesa e pai inglês que trabalhava como engenheiro de som na BBC.
- Ele teve asma na infância. Higgs sofria de asma na infância e, por causa disso, recebeu parte de sua educação inicial em sua casa em Bristol. Mais tarde, mudou-se para Londres para estudar matemática e física aos 17 anos.
- Ele passou quase toda a sua vida na Universidade de Edimburgo. Ele se mudou para a Universidade de Edimburgo em 1954 após receber seu doutorado no King’s College. Passou a maior parte do tempo lá, com exceção de alguns anos em Londres no final da década de 1950.
- Ele era conhecido por sua modéstia. Após a confirmação de sua proposta da existência da partícula em 2012, ele disse aos jornalistas: “É muito bom estar certo às vezes”, de acordo com a BBC.
- Ele não tinha um telefone celular. É uma piada famosa que os cientistas muitas vezes perdem as chamadas informando que ganharam o Prêmio Nobel. Mas a Academia Real Sueca de Ciências não pôde ligar para ele porque ele não tinha um celular.
- Ele levava uma vida de baixa tecnologia. Se você ficou surpreso pelo fato de o recluso gênio não possuir celular em 2013, talvez fique ainda mais surpreso ao saber que ele não usava a internet nem assistia televisão na época, segundo a ABC.
- Ele detestava o nome ‘partícula de Deus’. Higgs era um ateu convicto e não gostava do fato de as pessoas chamarem sua partícula de “Deus”.
- Englert aceitou o Nobel em nome de ambos. Graças à sua vida de baixa tecnologia, seu colega aceitou o prêmio em nome de ambos, já que a academia continuava com dificuldades para contatá-lo.

